BOLETO DE COBRANÇA SEM PAPEL: AGORA ELE PODE GANHAR FORÇA

Eu tenho um colega que não o vejo há anos. Ele é um empresário bem sucedido no setor de roupas e tecidos, como todo bom descendente de libanês, o qual sempre comentava comigo:
não quero saber desse negócio de internet banking, pois prefiro ficar na fila do banco, pagar minhas contas e sair com o comprovante do caixa bem na minha mão, pois não confio nessa parafernália eletrônica.

Outra recordação que tenho da desconfiança dos correntistas, vem da época que participei da implantação da apresentação eletrônica de boletos de cobrança na empresa em que eu trabalhava. Havia uma baixa adesão dos clientes à essa nova sistemática, menos de 5%, fato também da consequência dos desbancarizados, desinformatizados e aversos ao então novo sistema, o que principalmente ainda sempre esbarrou na resistência dos prestadores de serviços, os tradicionais emissores de boletos, em migrar da cobrança simples (sem registro) para a cobrança registrada, por causa da boa diferença de tarifas praticadas pelas instituições financeiras, visto ser necessário que o boleto seja registrado no banco para a sua apresentação eletrônica.

O problema da cobrança simples (sem registro), é a fraude comprovada e amplamente praticada com a emissão de boletos falsos, pois é raro hoje em dia alguém nunca ter recebido um spam, muito bem confeccionado diga-se de passagem, referente um aviso de protesto com um boleto em anexo para ser pago, ou em que os hackers acessam as contas dos correntistas e pagam boletos fraudulentos para cedentes laranjas.

Para mitigar ao máximo o risco com esse tipo de fraude, a FEBRABAN vem atuando no Projeto de Prevenção a Fraudes de Boletos de Cobrança, ou a Nova Plataforma de Cobrança, cuja primeira fase implantada em setembro de 2015, obrigou os bancos a registrarem em uma base, todos os emissores de boletos de cobrança, com status de apto ou inapto, sendo esse último para os fraudadores comprovados, cujos créditos oriundos de boletos, são retidos e devolvidos aos pagadores.

Para a segunda e ultima fase desse projeto, com data marcada para março de 2017, fica proibida a emissão de boletos de cobrança sem registro para trânsito na compensação. Os boletos com esse tipo de liquidação, passam a ser registrados pelos bancos em uma base centralizada. Assim, antes de um banco receber o pagamento de um boleto de cobrança, terá que, obrigatoriamente, consultá-lo nessa base, e caso o boleto não seja encontrado nessa base, o banco não deverá recebê-lo.

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Temos um outro blog que trata especificamente desse assunto:
http://www.matera.com/br/2016/12/21/voce-sabe-que-a-forma-de-emissao-de-boletos-sera-diferente-em-2017-nova-cobranca/

Quem pode ganhar muita força com a obrigatoriedade de emissão de boletos com registro, é o produto DDA (débito direto autorizado) oferecido pelos bancos, já que tal produto apresenta vantagens em relação ao boleto físico (impresso).

Os clientes não precisam receber os boletos impressos pelos Correios, e no momento do pagamento, não precisam consultar os boletos na base, pois os bancos, de forma eletrônica (internet banking, telefone, caixa eletrônico, entre outros), os apresentam aos correntistas, e além de não precisar digitar a linha digitável do boleto, o cliente tem a opção de não concordar com o pagamento, podendo escolher a opção de “não reconhecer a dívida”, ficando a cargo de seu banco de relacionamento, informar tal decisão ao banco emissor.

Entretanto, para que o cliente bancário conte com essa facilidade eletrônica, ele tem que dirigir-se ao seu banco de relacionamento, seja de forma presencial ou por meio do internet banking, e efetuar sua adesão ao produto, atualmente oferecido praticamente por todos grandes bancos.

Enquanto o correntista mantiver sua adesão formalizada em pelo menos 1 (um) banco de relacionamento, ele não deverá mais receber boletos impressos, o que é uma excelente ideia para o meio ambiente.

Por CLAUDIO AIELO SPROVIERI

Comprometimento, energia, veste a camisa, voluntário, respeito ao próximo, apaixonado por carros.

Postado em: 03 de janeiro de 2017

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