Computação móvel e na nuvem: profecia, realidade e desafios

O termo “mobile cloud computing”, combinação de computação móvel (“mobile”) e computação na nuvem (“cloud”), já está sendo usado no mercado como o novo modelo de distribuição e uso de aplicações de TI. Nesse novo modelo (também conhecido como MCC, sigla de “mobile cloud computing”), temos usuários (usando dispositivos como notebooks, smartphones e tablets, conectados na internet ) com acesso praticamente universal a uma infinidade de recursos computacionais e de informação (sistemas disponíveis na nuvem).

Esse cenário é considerado o início de uma “era pós-PC”, pois representa a superação definitiva das limitações existentes algumas décadas atrás. Na “era do PC”, a experiência do usuário era centrada no “desktop”: o computador era basicamente parte da mesa de trabalho. Os dados estavam centralizados em servidores (de arquivos ou de banco de dados), aos quais os computadores dos usuários se conectavam através de uma rede local (LAN); ou seja, a “era do PC” também poderia ser chamada de “era cliente-servidor”. As máquinas cliente e os servidores tinham que usar sistemas operacionais, linguagens e protocolos compatíveis. Todo o processo de desenvolvimento, uso e suporte de software e serviços estava baseado nessa arquitetura.

Com a popularização dos dispositivos móveis, o cenário mudou: qualquer usuário com acesso internet e com um programa navegador (browser) tem acesso praticamente ilimitado a recursos de trabalho, entretenimento e estudo. A padronização de tecnologias de acesso (com destaque para os “web services”) permite a independência de plataforma de software (como Android, iOS e Windows) e de fabricante do hardware, o que aumentou a liberdade de escolha por parte dos usuários.

Uma série de facilidades serão cada vez mais comuns, graças à MCC:

– e-payment: pagamentos de produtos e serviços serão frequentes, aumentando a quantidade de consumidores que usam canais digitais;

– “pay as you use”: determinados serviços podem não exigir uma assinatura recorrente, mas sim pagamentos pontuais à medida que são utilizados;

– cuidados com a saúde: aplicativos para o monitoramento de condições de específicas podem se comunicar com as empresas prestadoras de serviços de saúde, gerando recomendações ou alertas.

Há, no entanto, vários desafios que devem ser enfrentados, conforme a MCC avançar no dia a dia dos consumidores e das empresas:

  • privacidade e segurança das informações: dado que o acesso é feito através da internet, fora de um ambiente fisicamente restrito, as aplicações devem oferecer recursos adicionais para evitar a exposição de dados sensíveis;
  • integração com sistemas legados: ainda há uma grande base de aplicações corporativas baseadas em tecnologias mais antigas (cliente-servidor ou mesmo mainframes), que são normalmente difíceis de se integrar a tecnologias mais modernas;
  • consumo de energia e de banda: à medida que a utilização de recursos na nuvem vai se tornando mais e mais frequente, aumenta a necessidade de que os usuários tenham equipamentos com grande autonomia de baterias e que os acessos à internet não fiquem congestionados pelo auto volume de dados.

A realidade que temos hoje confirma uma profecia bastante específica: em 1984, John Gage, da Sun Microsystems, criou a frase que se tornaria o slogan da empresa: “The network is the computer” (“A rede é o computador”). A frase tem quase 30 anos, o que é muito tempo quando se fala de tecnologia, mas que reforça e muito o acerto dessa visão.

Por CELSO GONÇALVES JUNIOR

Postado em: 30 de setembro de 2013

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