Conhecendo o Mercado de Opções da BOVESPA

Além do mercado de ações, a bolsa brasileira dispõe do mercado de opções, mas o que são opções? Opções são derivativos de ações, ou seja, seus preços variam conforme a variação de preço da sua respectiva ação. Nosso objetivo é fazer uma breve introdução sobre o tema haja visto que o assunto é bastante extenso.

Existem dois tipos de opções, sendo elas, opções de compra (calls) e opções de venda (puts). As opções possibilitam o investidor obter lucro em suas operações tanto na alta quanto na baixa de uma ação, mas como isso é possível?

Opções de compra são instrumentos que garantem ao possuidor da opção o direito de comprar uma ação até uma data pré estabelecida por um preço pré fixado.

Opções de venda são instrumentos que garantem ao possuidor da opção o direito de vender uma ação até uma data pré estabelecida por um preço pré fixado.

As datas de vencimentos são dias fixos sempre na terceira segunda-feira de cada mês, caso seja um feriado o vencimento passa ser o próximo dia de pregão. No site da BOVESPA é possível visualizar todas as datas, a data é um fator importantíssimo pois é a validade da opção, após essa data não é possível exercer a opção. O código das opções é formado pelo código do seu respectivo ativo + uma letra referente a um mês do ano + dois números referentes ao preço. As opções de compra utilizam as letras A para janeiro, B para fevereiro,… L para dezembro e as opções de venda utilizam as letras M para janeiro, N para fevereiro,… X para dezembro, como exemplo, o código VALEG19 corresponde a uma opção de compra de VALE5 com vencimento em julho ao preço de 19,00 e o código VALES19 corresponde a uma opção de venda de VALE5 com vencimento em julho ao preço de 19,00.

Na bolsa brasileira temos dois estilos de opções, estilo europeu e estilo americano. Opções com estilo americano podem ser exercidas (compra ou venda) a partir do dia seguinte da sua aquisição até a data de vencimento, já no estilo europeu as opções só podem ser exercidas (compra ou venda) na data de vencimento.

Nesse cenário temos dois papéis, os compradores de opções e os lançadores de opções, onde os compradores possuem o direito de escolher se vai ou não exercer a opção (compra ou venda), já os lançadores assumem a outra ponta da transação, se ele vendeu uma opção de compra e o comprador decidiu exercer a opção o lançador é obrigado a vender a ação no preço estabelecido, se ele vendeu uma opção de venda e o comprador da opção decidiu exercer a opção o lançador é obrigado a comprar a ação a ação no preço estabelecido.

Lançadores de opções de compra negociam com compradores de opções de compra e lançadores de opções de venda negociam com compradores de opções de venda, ter isso em mente é muito importante pois opções de compra e de venda não são contrapartes. Atuar na ponta lançadora requer muita cautela haja visto que o investidor pode operar coberto ou descoberto e em ambos casos a operação precisa ter lastro caso o comprador da opção venha a exercer seu direito, a própria BOVESPA controla essa oferta e garante o exercício.

Em um movimento de alta as opções de compra tendem a se valorizarem, em um movimento de baixa são as opções de venda que tendem a se valorizarem, sendo assim, sim é possível obtermos lucro tanto na alta quanto na baixa de uma ação.

Vamos seguir com o seguinte exemplo: a ação VALE5 está cotada em R$17,74 na data de 26/05/2015 às 13:30, imaginemos que possuímos 100un de VALEG19 ao preço de R$0,93 por un e 100un de VALES19 ao preço de R$1,50 por un.

Cenário 01 (movimento de alta para a ação VALE5, nesse caso as opções de compra se valorizam): só é vantagem ao comprador da opção exercer o seu direito caso a ação supere o valor de R$19,00; por exemplo: se ela atingir o valor de R$22,00 o comprador pode comprar por R$19,00 um ativo que custa R$22,00 obtendo o lucro de R$3,00 por un; se a ação atingir o valor de R$16,00 não faz sentido o comprador da opção exercê-la pois pagaria R$19,00 por algo que está custando R$16,00 no mercado, nesse caso dizemos que a opção virou “pó” e o comprador teve um prejuízo de R$93,00 + taxas. No caso de valorização o lançador da opção de compra é obrigado a vender por um preço inferior ao mercado, sendo assim o comprador apura lucro e o lançador apura prejuízo.

Cenário 02 (movimento de baixa para a ação VALE5, nesse caso as opções de venda se valorizam): só é vantagem ao comprador da opção exercer o seu direito caso a ação não supere o valor de R$19,00; por exemplo: se ela atingir o valor de R$16,00 o comprador pode vender por R$19,00 um ativo que custa R$16,00 obtendo o lucro de R$3,00 por un; se a ação atingir o valor de R$22,00 não faz sentido o comprador da opção exercê-la pois venderia por R$19,00 algo que está custando R$22,00 no mercado, nesse caso dizemos que a opção virou “pó” e o comprador teve um prejuízo de R$150,00. No caso de desvalorização o lançador da opção de venda é obrigado a comprar por um preço superior ao mercado, sendo assim o comprador apura lucro e o lançador apura prejuízo.

Existem muitos fatores a serem considerados pelo investidor que opera no mercado de opções, é um mercado que pode trazer ganhos gigantescos mas também pode trazer perdas gigantescas.

Ao comparar o mercado de ações com o mercado de opções da BOVESPA o investidor precisa ter em mente que quando de trata de ações não temos uma data de validade e o investidor pode ficar com a ação o tempo que quiser, já o mercado de opções possui uma data de validade e caso as coisas não caminhem bem a opção pode virar “pó” e nada poderá ser feito, portanto é prudente o investidor se preparar e ter cautela com esse tipo de mercado.

REFERÊNCIAS

[1] http://www.bmfbovespa.com.br/

LINKS RELACIONADOS

[1] http://www.matera.com/br/2015/05/13/ja-pensou-em-ser-um-investidor-independente-na-bolsa-brasileira/

Por ALBERI MARQUES VIEIRA

Postado em: 05 de junho de 2015

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