Da jukebox ao iPod, o que realmente importa?

jukeboxVocê sabe o que é essa máquina da figura aí ao lado? Trata-se de uma Jukebox, um famoso “player” de musica inventado por volta de 1890, mas que ficou muito popular por volta de 1960. Sucesso nas festas, isso é o que poderíamos chamar de “iPod” da época. Permitia armazenar uma coletânea imensa de LP’s (ou discos de vinil). Segundo os mais antigos, era uma verdadeira maravilha ver o dispositivo em funcionamento.

Comparando períodos e necessidades, até alguns meses atrás, nossa referência em player de música era o iPod + iTunes. Hoje, serviços de streaming como Deezer, Rdio, Spotify e agora, o Apple Music, vem ganhando grande destaque ao oferecer músicas em seus dispositivos. Você acha que um iPod ou qualquer outro dispositivo móvel de audio, seria bem vindo nos anos 60? Bem provável que não. Afinal, que graça teria ouvir música sozinho, sem dançar? A jukebox desempenhou um grande papel na sociedade ao “unir a galera” em festas dançantes. Locais com uma jukebox significava animação na certa!

Ao falarmos do iPod, é inevitável não lembrar de Steve Jobs, um sujeito que revolucionou a forma como a música é entregue ao consumidor final. Ele sempre acreditou na premissa de que o consumidor final não sabe exatamente o que quer. Ele também diz que é necessário supreendê-lo e despertar novas necessidades. Segundo Jobs, pesquisas de gosto de consumo revelam apenas aquilo que o público diz conhecer. Não traz muita coisa nova.

Voltando as jukeboxes, quem conheceu a genialidade dessas máquinas, sabe que nos clubes da época era necessário inserir uma moeda, escolher uma música e então ouvi-la, ou seja, era necessário pagar para desfrutar do conteúdo dessas caixas. Nada de espetacular. Era uma máquina que gerava renda. Mas e aí? Se Steve Jobs realmente não levava em conta o que seu público queria, ele sabia muito bem o que ele queria e baseava-se em modelos muito bem estabelecidos para desenvolver seus produtos. Apesar de ser algo surpreendente, o iPod junto ao iTunes, ou mesmo um Deezer junto ao seu smartphone, nada mais são do que “personal jukeboxes” que também geram renda. E hoje vão um pouco além ao oferecer conteúdo personalizado e opções de assinatura de conteúdo.

itunes_music_cardA ideia desse post é lembrar que Steve Jobs foi inovador o suficiente para copiar um modelo do tipo “coloque a moeda para ouvir a música” e transformá-lo numa sensação e inspiração para outros modelos em poucos anos. Ele foi um bom observador (e marqueteiro, claro!), sabia muito bem o que queria e como conceberia o seu produto. O restante é a história que todos conhecem. Portanto, não se trata do produto em si, mas sim do modelo de negócio que ele traçou ao adequar uma necessidade do passado à realidade vigente. Assim como o iPod nos anos 60 poderia não fazer o menor sentido (por que ouvir música sozinho?!), uma jukebox atualmente poderia ser pura nostalgia inútil. Mas tudo é observação e adequação. Não se trata daquilo que o público ainda não sabe o que quer, mas sim sobre aquilo que poucos observam. Afinal a realidade está aí para todos.

Algo que sobressai disso tudo, é que estamos deixando de ser tão sociáveis quanto antigamente. Não saímos mais para dançar e nem valorizamos modelos que geram interação direta entre as pessoas. As cidades crescem, zonas comerciais de escritórios de trabalho são criadas distantes de residências, a internet e a mobilidade aceleram a informação e o processo de comunicação, mas tornam frias, depreciadas e distantes as relações humanas. A tendência é cada vez mais nos distanciarmos uns dos outros. Nesse contexto, existem necessidades ascendentes e uma série de modelos de negócio que poderiam resolver essa equação, aproximar os indivíduos e gerar rentabilidade a partir da comunidade. Afinal, do passsado ao presente, da jukebox ao ipod, o que realmente importa?

“Back To The Basics”

Por FABIANO AMARO COSTA

MATERANO na veia. Vive a cultura MATERA desde 2008 em diferentes papeis. Curte cães, carros e fotografia. Acredita na vida em comunidade, compartilhamento de ideias e experiências como forma de melhorar o mundo.

Postado em: 03 de julho de 2015

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