Detalhamento da Parcela RWAcpad

1. Introdução:

As contas DLO deste grupo destinam-se à apuração do RWA (ativos ponderados pelo risco) para exposições a risco de crédito com base em metodologia padronizada. Esta parcela contempla posições ativas, ou seja, posições em que a instituição tem valor a receber.

As exposições ponderadas pelo risco são resultado da aplicação de fatores de ponderação de risco, fatores de mitigação de risco e fatores de conversão sobre os valores de exposição original, ou seja, sobre o montante a receber.

As contas DLO deste grupo prevêem preenchimento de vários campos, chamados de elementos de conta. Esses elementos compôem a exposição, os fatores de risco, tipo de reconciliação e subconta.

Há dois tipos de riscos associados a essas posições; risco de crédito da contraparte e risco do ativo objeto. A seleção do tipo de risco se dá por meio da subconta (elemento 45).

a. Risco de Crédito da Contraparte: Representa exposições tais que o risco está associado ao não cumprimento de obrigações por parte da contraparte da operação (risco de default). Como exemplo, podemos citar um empréstimo simples em que a contraparte deve pagar o valor contratado com juros em uma data pré estabelecida.

b. Risco do Ativo Objeto: Representa exposições tais que o risco está associado ao emissor do título. Como exemplo, uma debênture em carteira que paga um certo valor futuro. Neste caso, o risco desta debênture está associado ao seu emissor que pode ou não honrar com a obrigação.

Além disso, as contas do RWAcpad estão sujeitas a detalhamento COSIF que consiste em conciliar os valores de exposição das operações com os valores contábeis do balancete.

2. Exposição (Elemento 2):

Este campo destina-se a todo tipo de exposição, ou seja, valores que estejam no ativo que afetem ou não o RWA. Há dois tipos de exposições que afetam o RWA; Contábeis ou não contábeis.

Por outro lado, há três tipos de exposições que não afetam o RWA:

a. Exposições excluídas: Operações de interdependência, aplicações em ações e mercadorias cobertas pela parcela de risco de mercado são exemplos de operações nessa categoria.

b. Não exposição por disposição normativa: cotas de fundos decorrentes de operação de venda ou transferência de ativos que permaneçam registrados no ativos da instituição é um exemplo desse tipo de exposição.

c. Não exposição por não representar risco de crédito: Certificado de operações estruturadas é um exemplo desse tipo de exposição.

A diferenciação destes tipos se dá através do tipo de reconciliação (elemento 4). Para as contas sujeitas a detalhamento COSIF, cabe o batimento do valor de exposição com as exposições de todos os tipos, exceto as não contábeis.

3. Fatores de Ponderação de Risco (Elemento 41)

Estes fatores estão todos na tabela 10 da instrução de preenchimento do Banco Central. Em linhas gerais, há algumas categorias de fatores de ponderação:

a. Devido à contraparte: Nestes casos, os fatores remetem ao tipo da contraparte da operação. Na abordagem padronizada, não se utiliza o Rating da contraparte, mas a sua categoria. Como exemplo, operações com instituições financeiras devem ser ponderadas em 50%, ou seja, metade do valor exposto deve afetar o RWA. Estes casos também contemplam operações com contrapartes centrais a serem liquidadas em câmaras de compensação.

b. Devido ao emissor do papel: Da mesma maneira que acima, os fatores remetem à categoria do emissor do títulos. Como exemplo, títulos públicos federais são ponderados em 0%, ou seja, não afetam o RWA, pois pressupôe-se que o Governo Federal não tem risco de default.

c. Devido ao tipo de operação: Como exemplo, operações de adiantamento ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

d. Devido ao valor do bem arrendado: Operações de financiamentos imobiliários ou garantidos por hipoteca podem ser ponderadas em 35% quando o valor contratado não ultrapassa 80% do valor do imóvel residencial arrendado.

4. Fatores de Mitigação de Risco (Elemento 42)

Grande parte das operações está sujeita a uma gama de garantias que podem ser inerentes à operação ou acordadas em contrato. Uma operação compromissada de compra com revenda possui o lastro da operação como garantia da mesma forma que um repasse em folha de pagamento pode ser a garantia de um empréstimo. Essas garantias podem diminuir o valor de exposição da mesma maneira que os fatores de ponderação de risco. O uso de garantias é opcional e só deve ser aplicado quando o seu fator for menor que o fator de ponderação. Estes fatores estão na tabela 11 da instrução de preenchimento do Banco Central.

Exemplos:

a. Considere uma operação compromissada de compra com revenda tal que:

Valor da Revenda = 10.000,00 reais
Valor do Lastro = 9.500,00 reais

sendo o lastro, um título emitido por uma instituição financeira e a operação com uma empresa sem categoria específica. Nesse caso, pela tabela 10 e 11, temos que o fator de ponderação vale 100% e o fator de mitigação vale 50%.

Como resultado, 9.500,00 será ponderado em 50%, referente à utilização do lastro da operação como garantia e a diferença (500,00 reais) será ponderada em 100% referente à exposição não coberta pela garantia.

b. Considere uma operação liquidada em câmara de compensação garantida por um título privado. Nesse caso, a garantia não será utilizada, pois o fator de ponderação será de 2% enquanto que o fator de mitigação será de pelo menos 50%. Note que a garantia não diminui o valor original da exposição, apenas pondera a parcela mitigada quando seu ponderador for mais interessante.

5. Fatores de conversão (Elemento 43)

Estes fatores estão na tabela 12 da instrução de preenchimento do Banco Central e há três tipos de fatores de conversão:

a. FEPF: O fator de exposição potencial futura é utilizado para medir um risco ainda não adquirido em operações com derivativos. Nesses casos, o prazo da operação e os indexadores são determinantes na obtenção deste fator. Quanto maior o prazo e mais volátil o indexador, maior a exposição potencial futura.

b. FCL: As exposições decorrentes de risco de crédito da contraparte nas operações a liquidar são ponderadas de acordo com o indexador do ativo da operação.

c. FCC: Para operações de limites de crédito, aval ou fiança, o prazo da operação determina o fator de conversão de crédito.

Estes fatores reduzem o valor da exposição total antes da aplicação dos fatores de ponderação ou mitigador.

6. Tipo de reconciliação (Elemento 4)

O tipo de reconciliação possui basicamente duas funções; discriminar quais exposições afetam o RWA e quais exposições estão sujeitas a conciliação contábil.

7. CVA

O valor de mercado de posições de derivativos considera apenas variáveis de mercado relacionadas a essas posições e não considera a qualidade de crédito da contraparte da operação. O ajuste para derivativos decorrente da variação da qualidade de crédito da contraparte (CVA) serve para mensurar o ganho potencial futuro devido à variação de crédito por metodologia padronizada.

Não são consideradas nesse ajuste operações a serem liquidadas em câmaras de compensação, derivativos embutidos em certificados de operações estruturadas e outras.

Por DANILO CASTRO

Postado em: 03 de julho de 2015

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