Dicas para aplicar mapas mentais na solução de teste

Constantemente buscamos formas de nos tornarmos mais ágeis nos projetos, seja melhorando nossos processos ou na introdução de ferramentas que serão insumos para nossa melhoria contínua.

Eis uma dica interessante é usar mapas mentais para organizar a solução de teste.

Mapas mentais são formas visuais usadas para apresentar uma ideia ou conjunto de ideias através de diagramas. Somente as informações mais importantes serão exibidas de forma clara e organizada. Essa técnica foi introduzida pelo psicólogo inglês Tony Buzan.

O mapa mental partirá sempre de um assunto principal, e em seguida fragmentamos os tópicos ligados a ele. E para cada fragmento mais níveis de detalhamento relacionados aquele assunto podem surgir. É importante dividir os assuntos que estão relacionados de forma que facilite a organização e visualização da ideia exposta.

Exemplo de mapa mental
Figura 1: Exemplo de mapa mental

No exemplo da figura 1, perceba que dado um assunto principal, nesse caso TCP/IP, as quebras surgiram de acordo com os tópicos oriundos dele: portas, protocolos básicos, cabeçalho, camadas, etc.

E para cada ramificação, novos assuntos relacionados a ele, que podemos chamar de níveis ou nós filhos também, surgirão. Ainda no exemplo, para Portas temos, FTP, Telnet, etc, ou seja,  a cada nova ramificação os detalhes que se enquadram nelas foram inseridos.

Essa é a ideia para que estruture sua solução de teste, do ponto de vista organizacional e visual verá como “facilitará sua vida” a aplicação desses mapas.

Aplicando mapas mentais com Freemind

Existem diversas ferramentas no mercado para criação de um mapa mental. Apresentarei a que tenho mais familiaridade, o FreeMind, trata-se de uma ferramenta free, como seu nome mesmo diz.

Então, para cada “task” ou funcionalidade, um mapa mental poderia ser criado no FreeMind para facilitar a organização das ideias, principalmente quando compartilhadas com demais pessoas, auxilia no entendimento do cenário.

Em uma planning, para estimar e justificar o tamanho do teste facilita também, com a visão do todo, melhora a visão de cobertura, principalmente quando trabalhamos com a quebra de funcionalidades. Para um novo sistema, por exemplo, as funcionalidades dele serão quebradas em sprints. No fim, saber se contemplou tudo que foi levantado, se fizer checks nos nós é possível medir a completude, de forma bem manual, mas já é um começo.

Vamos dar um exemplo voltado para solução de teste, o caso de uso ada figura 2 foi usado em uma palestra que realizei no evento CNQS, “3 dicas para aperfeiçoar a escrita de caso de teste”:

Exemplo de caso de Uso para aplicar no FreeMind
Figura 2: Exemplo de caso de Uso para aplicar no FreeMind[4]

Dado uma loja de revelação de fotografias, temos o caso de uso “Cliente solicita a revelação de suas fotografias”. Serão extraídos os cenários principais desse caso de uso que precisamos validar. Diante do exposto, a principio dividiria em:

  • Solicitar Revelação
  • Verificar se cliente está cadastrado
  • Revelar Fotos
  • Emitir Nota de Revelação

Para cada tópico, podemos pensar em quais ramificações existem para cada um dos cenários, o detalhe do que pode ser validado para ela poderá ser quebrado também conforme mostrado na Figura 3:

q
Figura 3: Exemplo de Mapa Mental para Caso de Uso  “Cliente solicita a revelação de suas fotografias”

No início da construção, é comum ter dúvidas a sanar futuramente, eu uso o ícone de interrogação, para salientar isso. E para centralizar as informações adiciona as dúvidas levantadas no próprio documento, conforme poderá ser observado na Figura 4:

Figura 4: Exemplo de tópicos de dúvidas – FreeMind

Veja que pode reunir também pontos de atenção (ícone de exclamação) referente aos cenários levantados, são insumos que podem ajudar em tomadas de decisão relacionados aos testes.

Se analisarmos a fragmentação, poderíamos adotar outra abordagem, o “Verificar se cliente está cadastrado” poderia ser uma ramificação dentro de “Solicitar Revelação”. No entanto, pensando em possibilidade de paralelizar o teste, quanto mais quebrar e desacoplar um caso de teste do outro de forma que fique mais independente mais facilitará sua execução.

Além disso, nas ramificações poderiam ter mais detalhes também, esse exemplo é uma visão bem macro. O formato se adequa conforme a necessidade de cada projeto.

Benefícios

  • Organiza melhor as ideias
  • Facilita visão do “todo” dos cenários
  • Ajuda na identificação da cobertura
  • Auxilia na estimativa do teste
  • Melhor visão dos cenários da funcionalidade, independente de conhecer sobre o negócio (está documentado)

Conclusão

O uso de mapa mental para organizar seus testes é algo que poderá agregar melhor na visão dos cenários a serem validados. Se não utiliza uma ferramenta específica, você poderá usar o próprio FreeMind para organizar esses testes e escrever os cenários mais detalhados no mesmo.

É importante ressaltar que para ser efetivo é necessário manter esses cenários atualizados, como qualquer documentação.

Por fim, os mapas mentais ou mind maps, são uma ótima pedida para aplicar para qualquer situação onde precisamos de uma visão de um todo de determinada funcionalidade, atividade ou até mesmo algum problema, onde serão listados possíveis soluções para resolver o mesmo.

Referências

[1] https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/07/TCP-IP.jpg

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Mapa_mental

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Freemind

[4] http://www.matera.com/br/2016/07/13/cnqs-congresso-nacional-de-qualidade-de-software/

[5] http://freemind.sourceforge.net/wiki/index.php/Main_Page

Por ARIANE FERREIRA IZAC

Analista apaixonada por testes, dançarina, corredora e colecionadora de viagens! Filha de peixe (jornalista) peixinho (blogueira) é. Meu grupo no LinkedIn só poderia ser "Diário de uma paixão: Teste de Software"

Postado em: 04 de maio de 2017

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