Entrevista

O MATERE-se entrevistou Danival Calegari, arquiteto de software da MATERA Systems, diretamente de San Franscisco, EUA, sobre a palestra que apresentou no maior evento sobre Java do mundo, o JavaOne.

DESTAQUES
“…. é um evento que reúne os grandes gurus, onde pode-se ver tendências diretamente de quem decide os rumos da tecnologia.”

“…tanto a performance quanto a escalabilidade ficaram prejudicadas pelo uso de padrões de projetos antigos… Novos padrões devem ser aplicados … A palestra mostrou algumas dicas e truques para conseguir melhorias no desempenho”

“…o crescimento dos aplicativos na Web tem aumentado… as possibilidades de aplicação desta tecnologia se expandiram de forma impressionante.”

“Esta  evolução, associada à grande opção de ferramentas, servidores, gente qualificada, fazem com que Java seja uma escolha sempre a ser considerada nas aplicações Web.”

“É interessante assistir a uma palestra com a pessoa que participou da especificação da tecnologia. Você ouve coisas como ‘nós decidimos colocar isto porque…’, …isto nos ajuda a identificar tendências e nos preparar- para elas.”

  

Blog MATERE-se: Fale para nós um pouco sobre o JavaOne.
Calegari: O evento tem quase o mesmo tempo de existência que o próprio Java. A tecnologia Java foi lançada em 1995 e o primeiro JavaOne ocorreu em 1996 (mesmo ano em que saiu o primeiro JDK, a ferramenta que permite que os desenvolvedores consigam criar programas em Java). O JavaOne foi criado pela Sun Microsystems, tendo à frente as mesmas pessoas que criaram a tecnologia. O evento ocorre anualmente em San Francisco, Califórnia, EUA.
Originalmente uma conferência essencialmente para desenvolvedores, ao longo do tempo o JavaOne adquiriu também uma grande importância de negócios. Há um espaço onde empresas de tecnologia podem expor seus produtos e prospectar novos negócios.
Este ano, com a aquisição da Sun Microsystems pela Oracle, o evento foi feito em conjunto com dois outros eventos da empresa: o Oracle Develop e o Oracle Open World. Os três eventos atraíram para a cidade cerca de 70 mil pessoas e as atividades estavam distribuídas em 15 locais da cidade, dentre eles o Moscone Center (local tradicional) e o Hotel Hilton.
Uma coisa interessante do JavaOne é que os grandes anúncios da linguagem costumam ser feitos lá. Também é um evento que reúne os grandes gurus e líderes de especificação, onde pode-se ver tendências diretamente de quem decide os rumos da tecnologia.

Blog MATERE-se: Qual é a sua relação com este evento? Já submeteu outras palestras no passado? Já participou do evento em outras edições como palestrante ou ouvinte?
Calegari: É minha primeira participação no evento. No ano passado, eu e um amigo meu que já trabalhou na MATERA, o Spock, havíamos submetido uma palestra, que não foi aceita.

Blog MATERE-se: Fale um pouco sobre a palestra que você ministrou.
Calegari: O tema da palestra foi “Dicas e truques de performance: Java EE, Java Persistence API e JavaServer Faces”. Apresentei no dia 20/09, por volta das 20h30 (horário local). Resumindo, desde o lançamento do JavaServer Faces no Java EE, tornou-se realmente possível desenvolver aplicações usando um modelo de componentes com a mesma semântica de aplicações desktop baseadas em Swing. O modelo de componentes se tornou efetivo após a popularização de AJAX para promover RIA. Entretanto, tanto a performance quanto a escalabilidade ficaram prejudicadas pelo uso de padrões de projetos usados na visão antiga de desenvolvimento Web. Novos padrões devem ser aplicados para os requisitos de desempenho neste novo cenário. A palestra mostrou algumas dicas e truques para conseguir melhorias no desempenho de interfaces Web baseadas em AJAX e no gerenciamento do contexto de persistência do JPA.

Blog MATERE-se:  Qual é a sua formação? Fale um pouco sobre a sua carreira.
Calegari:  Sou formado em Ciência da Computação,, pela UFMS e tenho mestrado em Ciência da Computação pela Unicamp.
Minha carreira começou como desenvolvedor Java no CPqD, onde atuei por quase 6 anos como desenvolvedor e arquiteto no produto de billing e de gerenciamento de telefones públicos. Depois passei a trabalhar para a IBM do Brasil em um time de integração de sistemas para um cliente nos EUA. Por fim, passei a trabalhar na MATERA Systems como líder técnico e atuei em três projetos com a Unicamp, o sistema de compras, um módulo do sistema acadêmico e uma célula de manutenção do primeiro sistema. Agora, atuo como líder técnico em um projeto em um banco estrangeiro, atuando na manutenção de sistemas desenvolvidos internamente pelo próprio banco (não são produtos MATERA).
Paralelamente a isto, atuei como professor de tecnologia Java em duas universidades privadas e atuo como instrutor pela Globalcode há mais de 5 anos. Os cursos ministrados vão desde cursos básicos até mais avançados de desenvolvimento Web.

Blog MATERE-se: Por que escolheu se especializar em Java?
Calegari:  A escolha pelo Java ocorreu no meu mestrado, em 1999. Java era uma tecnologia com bastante destaque e decidi adentrar este mundo para melhorar minhas perspectivas futuras de oportunidades de trabalho, o que acabou se concretizando.
Minha primeira experiência foi com a plataforma JavaCard, que é o Java para os cartões com chip. No meu mestrado desenvolvi uma biblioteca de criptografia baseada em curvas elípticas para esta plataforma, o que foi muito desafiador e interessante.
Quando comecei a atuar profissionalmente, passei a atuar com a plataforma Java EE. A riqueza desta plataforma acabou chamando muito minha atenção, tanto pela quantidade de recursos que ela oferecia quanto pelo grande sentido de comunidade que estava por trás da evolução da tecnologia. Esta escolha pela plataforma abriu muitas portas para participação em vários eventos no Brasil (como Just Java) e agora este evento internacional.

Blog MATERE-se: Existe um crescimento de demanda pelo mercado para que os aplicativos rodem em Web? Quem se antecipou ganhou com isso?
Calegari: Realmente o crescimento do volume de aplicativos na Web tem aumentado bastante. Com o advento da Web 2.0, com maior interatividade, e com a entrada mais forte de aparelhos celulares com tecnologia 3G, as possibilidades de aplicação desta tecnologia se expandiram de forma impressionante. Hoje em dia, é possível construir interfaces Web muito ricas, comparáveis a aplicativos em desktop e que tem como vantagem estarem disponíveis a partir de qualquer computador com acesso a rede onde o servidor está disponível.
Entrar neste mercado não é algo simples. A quantidade de tecnologias envolvidas torna a tarefa de escolha e integração das mesmas algo que demanda muito conhecimento e experiência. Desta forma, empresas que atuam neste tipo de desenvolvimento há mais tempo, como é o caso da MATERA, tiveram a vantagem de aprender gradualmente as diversas tecnologias e experimentar formas de fazê-las trabalhar juntas para obter bons resultados.

Blog MATERE-se: Fale sobre tecnologias modernas e a relação com Java. O que trazem de benefícios para os usuários de software? Quais os desafios para se consolidarem no mercado como tecnologias efetivamente adotadas?
Calegari: Com o objetivo de melhorar a qualidade e a produtividade no desenvolvimento de aplicações, há um constante surgimento de novas tecnologias que complementam o Java e muitas vezes acabam ditando seu caminho de evolução. Isto ocorreu com o Hibernate, uma ferramenta para auxiliar na interação com o banco de dados e que acabou fazendo surgir o padrão JPA (Java Persistence API), com o Spring, que revolucionou o gerenciamento de dependências e a forma de estruturar as aplicações e que acabou fazendo surgir o EJB 3. O JSF (JavaServer Faces), por sua vez, faz parte da especificação Java EE e foi uma evolução que tornou o desenvolvimento Web algo mais parecido com o desenvolvimento desktop, com um novo modelo de componentes e tratamento de eventos.
Todas estas evoluções, além de tornarem o desenvolvimento mais produtivo (e por consequência baratearem a construção do software), permitiram também o surgimento de aplicações Web mais ricas, com maior possibilidade de interatividade. Tecnologias de rich client, além de tornarem a experiência do usuário mais agradável através de interfaces mais elaboradas, ampliaram em muito as possibilidades de aplicação de sistemas Web. Quem poderia imaginar ter editores de texto, planilhas eletrônicas, agendas na Web alguns anos atrás? O JSF tem um papel muito importante neste cenário, sendo a base de várias ferramentas de rich client para aplicativos Java, como o RichFaces e o ICEFaces.
Como normalmente as novas ferramentas ditam os caminhos de evolução do Java, normalmente é a comunidade quem determina quais ferramentas terão sucesso ou não. Sendo assim, para que uma nova ferramenta tenha sucesso, ela precisa oferecer um diferencial e precisa efetivamente resolver um problema. Um caso de exemplo é o JBoss Seam, que surgiu como uma solução para problemas de gerenciamento de contexto Web e integração entre camadas e teve vários de seus conceitos incorporados à especificação JSF 2.0.

Blog MATERE-se: Quais são os “concorrentes” do Java no mercado?
Calegari:
Um dos maiores concorrentes do Java é a plataforma .Net, da Microsoft. Esta plataforma tem muitas similaridades com o Java, além de ter uma grande empresa apoiando. Outros dos grandes concorrentes são o ASP, PHP, Python e Perl. Duas tecnologias que vêm ganhando grande destaque são Ruby (Ruby on Rails), e Groovy (Grails).

Blog MATERE-se: Quais os prós e contras do Java frente aos concorrentes?
Calegari: Java é uma tecnologia bem madura que já é adotada por um volume muito grande de empresas ao redor do mundo. Também dispõe de um enorme contingente de desenvolvedores capacitados, o que torna a tarefa de montar times de desenvolvimento algo não tão complexo quanto para outras tecnologias.
Um dos pontos mais fortes do Java está na forma como ele evolui, através de um processo de comunidade. Esta comunidade, composta tanto por empresas de grande porte como Oracle e IBM, quanto por universidades e mesmo profissionais liberais, faz com que exista um constante movimento de melhoria na tecnologia, de modo a acompanhar as demandas que surgem ao longo do tempo.
Este tipo de movimento de evolução, associado à grande opção de ferramentas, servidores, gente qualificada, fazem com que Java seja uma escolha sempre a ser considerada neste cenário de construção de aplicações Web.
Como pontos negativos, a linguagem Java demanda mais codificação e um ciclo de desenvolvimento (implementa, compila e testa) mais longo que as linguagens dinâmicas, como Ruby e Groovy.
Em relação à plataforma .Net, o fato de ter uma única empresa por trás da plataforma decidindo os caminhos, ganha-se maior agilidade em incorporar mudanças para novos cenários, ao passo que no Java o processo de comunidade requer maior burocracia. Neste último caso, também é possível optar por ferramentas não padronizadas que atendam a novas demandas, como Hibernate ou mesmo Spring. Normalmente, tecnologias vencedoras acabam sendo incorporadas à plataforma e em pouco tempo é possível atender às demandas de forma padrão.

Blog MATERE-se: Quais os diferencias do Java?
Calegari: A plataforma Java já está no mercado há 15 anos. Já passou por muitas evoluções e hoje temos um grande número de opções de recursos para construir aplicações com a tecnologia, como diferentes servidores, diferentes ferramentas, diferentes bibliotecas, livros, cursos, tutoriais, etc.
Ela também conta com grandes empresas apoiando fortemente a tecnologia, como a Oracle, a IBM e a RedHat. O investimento destas grandes empresas acaba se revertendo em servidores mais confiáveis, máquinas virtuais mais rápidas, eficientes e confiáveis, ferramentas que tornam o desenvolvimento mais produtivo.
Além disto, a tecnologia tem adentrado mercados que permitem grandes oportunidades de negócio, com a presença em TVs digitais, aparelhos de BlueRay e celulares.

Blog MATERE-se: Fale sobre a qualidade do evento de forma geral.
Calegari: O evento teve um grande incremento com a junção do Oracle Develop e do Oracle Open World. Só pelo número de pessoas trazidas para a cidade pelo evento, em torno de 70 mil, e pelo número de locais da cidade que foram ocupados, cerca de 15, já é possível ver que foi algo grandioso.
A qualidade técnica do evento em si foi muito boa, com palestras de alto nível. É bem interessante assistir a uma palestra de JPA com a pessoa que participou da especificação. Você ouve coisas como “nós decidimos colocar isto porque…”, fica mais claro entender os propósitos dos recursos disponíveis. Também pode-se ouvir coisas como “este problema já é conhecido e não foi possível resolvê-lo agora, mas estamos planejando resolvê-lo na próxima versão desta forma…”, isto já nos ajuda a identificar tendências e nos preparar- para elas.

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Calegari, nos últimos dez anos, acumulou mais de 20 mil horas de experiência em projetos com uso de Java. Mestre em Ciência da Computação pela Unicamp, Calegari atualmente trabalha na MATERA Systems como arquiteto de software, cargo atribuído somente a um profissional altamente experiente, com uma enorme bagagem de conhecimento técnico na área de TI e muita vivência em projetos.
Com uma visão sistêmica madura e aguçada, é responsável pelas decisões de mais alto nível que se referem a: -análise e conhecimento de tecnologia atual para compor o espaço de soluções possiveis; – identificação e gerência de riscos associados aos projetos; -aplicação de padrões de análise e projeto no nível empresarial; – e planejamento da entrega final do sistema.

Por MATERA SYSTEMS

Postado em: 30 de setembro de 2010

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