Herança da coroa?

Era uma corte cara,  perdulária e voraz. (…)  Nos treze anos em que D. João viveu no Brasil, as despesas da mal administrada e corrupta Ucharia Real mais do que triplicaram. O deficit crescia sem parar.(…)

Outra herança da época de D. João é a prática da ‘caixinha’ nas concorrências e pagamentos de serviços públicos. (…) Era uma forma de extorsão velada: se o interessado não comparecesse com 17%, os processos simplesmente paravam de andar. (…)

O retorno da corte deixou o Brasil à mingua, às vesperas de sua Independência. Ao embarcar, D. João VI raspou os cofres do Banco do Brasil e levou embora o que ainda restava do tesouro real que havia trazido para a colônia em 1808. A realeza, que acabava de viver na corrupção, fizera um verdadeiro assalto ao erário brasileiro.

Os fundos para manutenção de diversos ramos da indústria e várias obras de interesse público desapareceram com esse grande e repentino sangradouro. Assim, muita coisa começada com a chegada da corte, e que se esperava que fosse de grande benefício para o país, cessou.”

Os trechos acima foram extraídos da obra  “1808” de autoria do jornalista Laurentino Gomes e que documenta o período em que D.João VI viveu no Brasil.

Parece mesmo que esta sina funesta que  nos persegue vem de longa data, perpetuada no comportamento dos cidadãos, entidades e empresas.

O interessante é que, ao mesmo tempo que vemos e temos consciência de tudo que nossa sociedade padece e perde por conta disso, relutamos em agir dentro de nosso círculo de influência para dar um basta nas práticas indesejáveis. Parece-nos que o governo ou “os outros” é que devem fazê-lo.

Muitas empresas e entidades já demonstram a intenção de manter uma conduta impecável. A MATERA coloca grande importância neste comportamento claramente expresso em seu manifesto:

Cumprimos as obrigações legais e rejeitamos qualquer prática ilícita. Primamos pela ética em nossas relações com colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros e Estado.”

Mas no fundo, como tudo funciona a partir de indivíduos, que tal cada um decidir dar sua cota de mudança nessa herança tão desprezível, recusando-se a agir de forma corrupta ou tendenciosa em seus negócios particulares, trabalhistas ou quaisquer que sejam eles?

Tudo que já perecemos ao longo de todos estes anos deveria bastar para nos fazer mudar de ideia quando acharmos que vamos lucrar ‘dando um jeitinho‘ ou tirando vantagem de alguém.

Por HELEN KLINGER

Postado em: 20 de fevereiro de 2015

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