Método Kanban: primeiros passos

Método Kanban, muito além dos post-its na parede

Por JOÃO PAULO GRABOSQUE

 

O método Kanban (com “K” maiúsculo) é um método de gestão visual e controle de fluxo criado por David J. Anderson para a condução de mudanças evolucionárias no trabalho do conhecimento.

Kanban é baseado em um sistema puxado e utiliza algumas práticas para estimular princípios emergentes do pensamento Lean. Hoje discutiremos brevemente sobre quatro delas:

 

Visualizar o fluxo de trabalho

 Parte da essência do Kanban é começar a partir do seu processo existente com o mínimo de mudanças iniciais. Então, primeiramente devemos apenas tornar visível o processo de trabalho da forma como ele é, refletindo o fluxo e suas etapas do início ao fim da demanda.

Normalmente, utilizamos um quadro com filas para representar as etapas do trabalho e cartões representando as demandas.

Após fornecer a visibilidade sobre o fluxo de trabalho, os problemas do processo existente são expostos e torna-se evidente o impacto das decisões cotidianas da equipe, os gargalos nas filas de trabalho acumulado e os itens bloqueados por dias.

Além disso, a gestão visual incentiva uma melhor comunicação, colaboração e priorização do trabalho a ser feito, auxiliando a tornar o sistema auto organizável.

 

Limitar o trabalho em progresso

 Existe uma relação de causa e efeito entre a quantidade de trabalho em progresso (Work in Progress – WIP) e seu tempo médio de conclusão (Lead Time).

Matematicamente, essa relação linear conhecida como “Lei de Little”, afirma que podemos entregar itens de trabalho mais rapidamente se reduzirmos a quantidade de trabalho em andamento existente no fluxo.

Logo, manter longas filas de trabalho em progresso é um grande desperdício, refletindo em um acúmulo de trabalho inacabado que retarda o fluxo.

Ao estabelecer limites de quantidade de trabalho em progresso garantimos foco em finalizar o trabalho já em andamento antes de iniciar mais. Evitamos assim os impactos de trocas de contexto e passamos a trabalhar conforme a capacidade, onde a conclusão de um item, sinaliza capacidade para o início de outro, conforme um sistema puxado.

 

método-kanban

Gerenciar e medir o fluxo

 É importante gerenciar e medir o fluxo de trabalho do nosso sistema Kanban com um conjunto de indicadores que nos traga informações relevantes para guiar a tomada de decisões, a otimização do processo e o reporte necessário.

Em uma abordagem Kanban, é fundamental mostrar que o sistema é previsível, que a organização tem agilidade no negócio, que há foco no fluxo e que a melhoria contínua está acontecendo.

Para cada uma dessas necessidades, existem indicadores específicos. Entre eles, o diagrama de fluxo cumulativo nos ajuda a visualizar a quantidade de trabalho em cada etapa, a identificar os gargalos e se o sistema está fluindo corretamente.

Com a distribuição de lead time melhoramos a previsibilidade de entrega e o indicador de throughput pode nos mostrar um possível aumento na vazão do nosso sistema.

Existem ainda métricas voltadas a eficiência do fluxo, indicando a relação do tempo parado em filas versus o produtivo e também métricas de carga de falha que reportam o percentual de trabalho que é gasto com correção de erros.

 

Usar modelos para reconhecer oportunidades de melhoria

 O método Kanban dá suporte a alguns modelos que auxiliam a identificar, avaliar e conduzir oportunidades de melhoria contínua.

Existem modelos ligados ao gerenciamento de restrições para identificação e remoção de gargalos, como o Five Focusing Steps, que ajudam a maximizar o rendimento e o desempenho do fluxo de trabalho.

E outros, como os modelos ligados a visualização e redução de desperdício baseados no pensamento Lean e no Toyota Production System.

 

Em nossas próximas postagens abordaremos maiores detalhes sobre essas e outras práticas fundamentais. Até aqui, podemos dizer que o Kanban é uma excelente abordagem para fornecer a visibilidade necessária para identificar possíveis problemas de desempenho e qualidade existentes nos processos atuais.

É também uma alternativa menos resistente para a evolução de uma cultura organizacional ágil, facilitando a construção de um ambiente mais colaborativo, sustentável e de contínua melhoria.

 

Por JOÃO PAULO GRABOSQUE

Graduado em Engenharia de Software, Materano apaixonado pelo que faz, atua como Agilista com foco em Scrum e Kanban.

Postado em: 10 de maio de 2018

Confira outros artigos do nosso blog

Do Scrum para o Kanban: quais são os desafios dessa transição?

02 de julho de 2018

Reinaldo Simizu

Como a comunicação influencia em times ágeis?

15 de junho de 2018

Ariane Ferreira Izac

Vamos falar sobre métricas Kanban?

21 de maio de 2018

Ricardo Augusto Shikota

Afinal, o que é Scrum Master?

20 de abril de 2018

Fernanda Rogge Barbosa

Deixe seu comentário