O conceito de "rich internet applications" e o futuro dos browsers e aplicações

A demanda por aplicações via web não para de crescer. Além das necessidades dos usuários dentro de residências e empresas, temos a disseminação de equipamentos móveis com acesso rápido à internet, como os smartphones, netbooks, tablets e inclusive dispositivos “híbridos”. Com toda essa gama de equipamentos e possibilidades de acesso, qual será a melhor plataforma para disponibilizar as informações e os serviços para os usuários finais?

Vamos analisar essa questão do ponto de vista da usabilidade das aplicações. Desde o surgimento dos primeiros browsers, tornou-se comum uma distinção clara entre as aplicações disponíveis no desktop e as aplicações disponíveis na web: as aplicações no desktop (inclusive o “front-end” para sistemas cliente-servidor) eram rápidas, intuitivas e amigáveis; e as aplicações via web eram lentas, difíceis de entender e usar (basta lembrar o botão “Voltar” dos browsers, que funciona para algumas aplicações e para outras não). Considerando a evolução que os computadores como PC e Mac representaram em relação aos modelos mais antigos (evolução essa que deu origem a gigantes como Microsoft e Apple), ouvia-se até que a web era o “novo mainframe”, pois as primeiras aplicações e browsers lembravam os antigos terminais IBM e outros.

O começo das aplicações web foi realmente difícil, tanto pela baixa velocidade de acesso como pela dificuldade de padronizar uma tecnologia nascente. No entanto, muito cedo ficou óbvio que a web é o futuro, e então as empresas começaram a se preparar para ele. Surgiu o conceito de rich internet applications, que consiste em dotar as aplicações web de recursos que as tornassem comparáveis às aplicações desktop, em termos de facilidade de uso, riqueza de conteúdo, interatividade e velocidade. Os browsers tornaram-se mais poderosos, passando a utilizar recursos como JavaScript, AJAX e plugins para conteúdo específico; também surgiram plataformas específicas para esse tipo de aplicação, como por exemplo Adobe Flash, Microsoft Silverlight e JavaFX. Surgiram termos como “rich browsers” e “rich clients“, todos relacionados a essa necessidade de tornar as aplicações mais intuitivas e amigáveis.

Nesse cenário, não emergiu nenhuma proposta claramente superior às demais. Aliás, várias delas tiveram problemas: o uso intensivo de recursos de interatividade baseados em JavaScript e AJAX trouxe muitos problemas de portabilidade dessas aplicações (ou seja, aplicações novas que não funcionam em browsers mais antigos e que forçam os usuários a frequentes atualizações, ou aplicações que funcionam em um browser mas não funcionam em outro); esse problema foi inclusive agravado com o surgimento de novos browsers, pois na arena onde competiam o Internet Explorer e o Firefox entraram novos competidores, como o Google Chrome e o Safari. Outro ponto conhecido por todos foi a recusa da Apple em executar aplicações feitas em Flash nos seus dispositivos, numa disputa que terminou com a conclusão de que “Steve Jobs estava certo”.

Com o surgimento do HTML5, começa a ficar claro que abordagens proprietárias como Flash, Silverlight e JavaFX perdem força. Embora esse novo padrão ainda esteja em desenvolvimento, ele incorpora vários dos recursos que se pretendia para as rich internet applications. Ainda é muito cedo para prever o desenrolar dessa história, principalmente porque estamos falando de tecnologia, mas o HTML5 vai forçar um reposicionamento dos players no mercado, pois abre espaço para a construção de aplicações que sejam realmente portáveis em diferentes plataformas, permitindo assim que um maior número de aplicações e conteúdos chegue a um maior número de usuários. Se isso de fato acontecer, a expressão “rich internet applications” perderá sentido, pois todas as aplicações serão “ricas”. Quem melhor utilizar o novo padrão e integrá-lo no desenvolvimento das aplicações vai chegar na frente. Ao que tudo indica, é esse o novo jogo na web.

Por MATERA SYSTEMS

Postado em: 01 de março de 2012

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