Por que fazemos o que fazemos?!

     O conhecido filósofo Mario Sergio Cortella fez essa pergunta (e muitas outras) em seu livro de mesmo título deste texto para apresentar diversas ideias e interpretações a respeito do trabalho e da realização profissional! E afinal, você sabe responder qual é o motivo de fazer o que faz? Por que levantar cedo? Por que trabalhar? Ou ao contrário: por que não fazer o que deveria ser feito?

     Cortella afirma (e eu concordo com ele), que se não conseguimos responder a essas perguntas, está nos faltando um PROPÓSITO! Propósito, segundo o pai dos burros, é uma “grande vontade de realizar e/ou alcançar alguma coisa; o que se quer atingir; alvo, objetivo”. Cortella ainda complementa dizendo que “uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço.”

     No dia a dia de trabalho, se você está ciente do que faz e porquê o faz, consequentemente você tem um propósito e reconhece a razão e importância disso! Segundo o filósofo, esse tipo de atitude dentro de uma empresa gera inovação, pois permite pensar “outros modos de se fazer aquilo que se faz e ganhar produtividade, competitividade, lucratividade e perenidade em relação ao próprio negócio”. Agora, se faz tudo no modo automático e sequer exista uma análise de seus atos e consequências dos mesmos, o ser humano torna-se alienado, ou seja, perde-se de si mesmo: “O trabalho alienado é aquele que é estranho a mim” (Cortella, 2016, p.26) e se não sei o motivo real de estar aqui, porque me empenhar para ir além do robótico?

“Temos de trabalhar! Podemos fazê-lo para mera obtenção da sobrevivência ou também como um modo de marcar nossa presença no mundo!”

Porque_fazemos_o_que_fazemos_MATERA

     Você pode até pensar: “A rotina não me permite pensar criticamente.”, mas vou desmentir esse raciocínio! Ainda citando Mario Sergio Cortella, o autor afirma que “rotina não é sinônimo de monotonia”:

“Um trabalho rotineiro é um trabalho organizado, estruturado. O que, de fato, faz com que haja um enfado, um tédio, é a monotonia. O perigo é quando a rotina deixa de ser algo que me prepara melhor para aquilo que estou fazendo e passa a ser algo no qual eu não presto mais atenção. (…) Nessa hora, a motivação falece. Seja qual for a profissão. (…) A monotonia é a morte da motivação!” (Cortella, 2016, p.40).

     Outra pessoa que teve grande contribuição na reflexão dos motivos que nos levam a fazer o que fazemos é Charles Duhigg (autor de “O poder do hábito”). Ele afirma que no ambiente de trabalho a rotina pode ser chamada de “hábitos organizacionais”.  Esses hábitos fornecem não apenas regras que as empresas necessitam para funcionar, como também permitem aos profissionais terem novas ideias e autonomia para colocá-las em prática, reduzem incertezas e proporcionam uma “memória organizacional”, onde não precisamos reinventar os processos diariamente nem entrar em pânico a cada imprevisto, pois estamos amparados pelos hábitos que nos servem de base aos processos. O autor complementa que todas as pessoas conseguem ter sucesso, desde que entendam seus hábitos e focalizem em padrões que moldam cada aspecto da vida! Isso lembra o propósito, não?!

     Agora que sabemos a importância de se ter um propósito e a diferença gigantesca entre rotina e monotonia, o que nos impede de sair da caixinha? Quais são nossos hábitos? O que nos motiva? O que podemos fazer para sair do automático e encarar a rotina como uma oportunidade? Acredito que encontrando as respostas para estas reflexões, nos tornamos não apenas profissionais melhores, mas pessoas aptas a encarar mudanças e novos desafios com foco em resultados que vão além do simples “entregável”.

 

Referências:

Charles Duhigg (2012) – O poder do hábito: Porque fazemos o que fazemos na vida e nos negócios

Mario Sergio Cortella (2016) – Por que fazemos o que fazemos?

 

Por TATIANA ARAUJO

Uma nerd que foi para Humanas, quase Psicóloga e apaixonada por RH. Gosto de olhar para o outro como um conjunto de experiências, emoções e conhecimentos! Considerar as pessoas como um todo é o que mais me faz gostar da minha profissão!

Postado em: 21 de fevereiro de 2017

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