Práticas de Startups que todo e-Commerce deveria aplicar: 5- Fail Fast

Na reta final dessa série de 5 posts para seu e-commerce, onde abordamos práticas úteis que startups utilizam em seu dia-a-dia para alavancar o crescimento, como Inception, Prototipação, MVP e Baby Steps, vamos abordar agora o Fail Fast. Basicamente, falhar rápido, o quanto antes. Mas por quê? Porque pode custar menos, causar menos dor de cabeça e não afetar sua credibilidade junto ao cliente.

Falhas podem ter muitas formas. Uma falha pode ocorrer numa funcionalidade, numa campanha publicitária, num novo produto. Pode ocorrer também num modelo de negócio, na escolha de uma contratação ou mesmo numa decisão estratégica de um sócio. As falhas estão intrinsecamente ligadas as nossas decisões.

fail_to_winJá que o risco de falhar caminha junto as nossas decisões, como exercitar modelos e garantir que a falha ocorrerá ainda sob seu controle? Adiantar as falhas muitas vezes está relacionado a estressar rotinas. De modo simplificado, testar os cenários. Mas como isso é possível num e-commerce?

Através do uso das práticas anteriores de inception, prototipação, mvp e baby steps, você aumenta a cobertura adequada de sua ação tornando-a simples e controlada, aspectos essenciais para poder implementar o Fail Fast. Na verdade, o Fail Fast já poderia ocorrer em cada uma dessas etapas.

Por exemplo: você optou por realizar o redesign da sua loja, com novas telas, fluxos diferentes e novas funcionalidades para os clientes. Você realizou esse projeto ao longo de extensos 12 meses, e isso envolveu diversos fornecedores e departamentos de seu e-commerce como logística, marketing e vendas. A decisão estratégica é de causar impacto e colocar tudo no ar de uma única vez, tirando do ar aquela plataforma que o seu cliente está acostumado a utilizar. Será mesmo que é uma boa alternativa? Ao longo dos 12 meses, você exercitou e estressou sua nova loja? Compensa realmente lançar tudo de uma única vez?

Imagine novamente o início de tudo isso. Você tem um projeto de redesign que levará cerca de 12 meses para ir ao ar. A proposta vai alterar todo o fluxo de experiência de seu cliente e funcionalidades estáveis do site. Os riscos inerentes são muitos, o que pode inserir problemas e ferir a credibilidade com seus clientes. Para mitigar isso, ao longo do desenvolvimento e criação da proposta, você pode utilizar testes A/B em sua plataforma atual para validar alguns conceitos novos junto a seus clientes, testando em pequenas doses a efetividade das alterações. De cara você pode descobrir que existem falhas, mas como o escopo de validação é pequeno e controlado, fica mais fácil corrigir e redirecionar. Da mesma maneira, você pode exigir de seu fornecedor de software ou equipe interna de TI a criação de testes automatizados para sua plataforma, de modo que as alterações de na sua loja sejam cercadas por estruturas que garantam o funcionamento correto de funcionalidades pré-existentes. Em caso de alterações, essa é uma forma de garantir que aquilo que já funcionava, vai requerer menor esforço de observação e validação. Um pouco dessa técnica de desenvolvimento é conhecida como TDD (Test Driven Development) que prevê a criação de testes da funcionalidade antes mesmo de escrever qualquer linha de código.

Parece loucura, mas isso é o que permite que depois de criada, uma funcionalidade atenda aos parâmetros de teste e também que qualquer alteração sobre ela, não afete o propósito do havia sido combinado.

Quanto mais tarde a falha demora a ser identifica, mais ela custará caro. Barry Boehm, engenheiro de software, escritor de livros como Software Engineering Economics, demonstra em publicações como a do gráfico abaixo, que o custo de uma mudança aumenta exponencialmente com o passar das fases de desenvolvimento. Veja:
Figura1

Não é dificil de imaginar isso num e-commerce. Se você libera um redesign para seu cliente e esse identifica uma falha no processo de checkout, imagine o custo de gerar essa correção? Primeiramente, você já teve sua marca arranhada ao causar um transtorno ao cliente durante a compra. Depois disso, você terá que acionar seus fornecedores ou sua equipe de TI para analisar e reproduzir a falha, gerar a correção, testar, homologar e liberar em ambiente de produção. Tudo isso custa muito mais do que identificar essa falha durante o próprio desenvolvimento e entrega dos ciclos.

Algumas técnicas / ferramentas para ajudar com o Fail Fast:

  • entregas incrementais: o formato de trabalho de sprints, ou pequenos ciclos, ajuda muito quando falamos de diminuir o escopo de observação. Fazendo ciclos curtos com entregas bem definidas, você pode analisar uma menor quantidade de entregáveis e, por consequência, identificar falhas antes que cheguem ao seu cliente;
  • testes A/B: existem ínumeras soluções de software que permitem lançar alterações em sua loja para validação com pequenas parcela de clientes, sem que afete os demais;
  • validações dos requisitos com marcos pré-definidos: sua ação está saindo conforme o planejado? Vai esperar os 12 meses pra poder validar? Que tal convidar a equipe de Marketing e Design para entender se o que está sendo produzido atende as expectativas? Utilizando protótipos ou telas semi prontas, é mais fácil identificar potenciais falhas, do que em desenhos ou simulações da fase de planejamento. Portanto, não confie apenas que o requisito definido no início é suficiente e atende a necessidade. Aproveite dos intervalos entre os entregáveis para entender se realmente aquilo que foi entregue atende as expectativas;
  • testes de carga e volume de acessos: existem ferramentas como o Jmeter, ou mesmo sites pagos que permitem simular milhares de acessos a sua loja. Num ambiente de homologação isso é extremamente válido para dimensionar sua infraestrutura de acordo com a necessidade. Por exemplo: eventos como Black Friday, requerem estrutura robusta. Para tanto, nada melhor do que validar se sua expectativa de público poderá ser segurada por sua loja;
  • Google Analitycs: uma excelente ferramenta de análise de dados de acesso que pode te indicar situações como o aumento de acessos por dispositivos móveis, que por consequência podem levar a decisão de um melhor preparo de sua loja para esses dispositivos;

Uma dica importante é que o Fail Fast diz respeito a pequenas coisas. Não são grandes assuntos e por isso é importante segmentar e tornar a ação algo curto o suficiente para que você possa observar e redirecionar.

Para uma startup, aplicar os conceitos que aqui apresentamos significa questão de sobrevivência. Para seu e-commerce, isso pode significar diminuição de custos e aumento de rentabilidade e de oportunidades.

Sabemos que não é da nossa cultura lidar com falhas, mas temos que aceitá-las como inevitáveis e fazer de tudo para que ocorram o quanto antes ainda sob nosso controle. Por isso a importância do Fail Fast

“Back To The Basics”

Referências:

Por FABIANO AMARO COSTA

MATERANO na veia. Vive a cultura MATERA desde 2008 em diferentes papeis. Curte cães, carros e fotografia. Acredita na vida em comunidade, compartilhamento de ideias e experiências como forma de melhorar o mundo.

Postado em: 19 de junho de 2015

Confira outros artigos do nosso blog

Manhattan Associates é considerada líder de mercado em WMS pelo Instituto Gartner

18 de março de 2016

Valmir Massafera Jr

[Webinar] Melhores práticas para e-Commerce

05 de janeiro de 2016

Valmir Massafera Jr

Manhattan Associates expande cobertura do mercado nacional com a Kajera

24 de setembro de 2015

Vania Hoshii

Práticas de Startups que todo e-Commerce deveria aplicar: 4- Baby Steps

08 de maio de 2015

Fabiano Amaro Costa

Deixe seu comentário