Retrospectiva Assertiva

Um time Scrum é auto-gerenciável, por isso, é necessário ter transparência, compartilhando toda e qualquer informação que seja de interesse de todos. É essencial que o time utilize de linguagem comum a fim de garantir o entendimento de todos.

Frequentemente, é necessário inspecionar os artefatos Scrum. Identificar processos, ferramentas e mudanças que podem agregar valor e simplicidade ao trabalho do time. Encontradas as oportunidades de melhoria, é hora de adaptar, colocando-as em prática! Todas as cerimônias do Scrum (planejamento, reunião diária, revisão e retrospectiva) permitem que o artefato seja inspecionado e adaptado. Mas no momento da retrospectiva, é essencial que esses pilares sejam vividos pelo time para garantir a melhoria contínua, evolução dos processos e maturidade da equipe.

A retrospectiva é a última, mas não menos importante, das cerimônias do framework Scrum. É nela que o time avalia e analisa tudo o que aconteceu em relação às pessoas, aos relacionamentos, aos processos e às ferramentas, com o objetivo de promover soluções e adaptar o que não ocorreu bem. Segundo o Manifesto Ágil, “Em intervalos regulares, o time reflete em como ficar mais efetivo, então, se ajustam e otimizam seu comportamento de acordo”. Para que a retrospectiva ocorra de forma assertiva, é necessário que ela esteja embasada fortemente nos pilares Scrum: Transparência, Inspeção e Adaptação.

Com respeito e muita coragem é necessário expor os problemas, sem expor as pessoas, focando na resolução ao invés de focar nos problemas. Para que tudo isso ocorra, podemos utilizar os “7 passos para uma retrospectiva assertiva” feito por Paulo Caroli.

1º Passo: Defina o Contexto

Para ter uma retrospectiva assertiva é essencial definir o contexto a ser discutido logo no início! Todos devem saber qual é o foco da reunião. Problemas de outros projetos ou sprints não devem ser mencionados na retrospectiva. Exemplos de como definir o contexto:

“Esta retrospectiva é referente aos últimos 15 dias que trabalhamos juntos na sprint 20″.

“Estamos trabalhando juntos pelos últimos 3 meses, hoje é o dia que iremos refletir sobre como podemos melhorar nossos testes unitários”.

2º Passo: Diretiva Primária

A diretiva primária é uma frase utilizada para ajudar a criar o ambiente de retrospectiva. Ela leva o time a pensar nos próprios atos e nas consequências deles. Ajuda a entender que estimativas podem mudar, inconvenientes podem acontecer e que todos podem falhar, afinal somos todos humanos.

“Independente do que descobrirmos, entendemos e realmente acreditamos que todos fizeram seu melhor trabalho, dados o que era conhecido à hora, suas habilidades, os recursos disponíveis e a situação em questão.” Norm Kerth

3º Passo: Energizer

Atividade opcional realizada como quebra-gelo da retrospectiva. É fundamental para promover interação e descontração entre os participantes. O objetivo da atividade é criar um ambiente amigável e deixar a equipe à vontade para participar dos próximos passos.

4º Passo: Check-In

Depois da descontração, é hora de focar na reunião e começar  refletir sobre os ocorridos da sprint! O check-in é um passo rápido que é realizado para dar uma visibilidade geral do sentimento da equipe. A partir dele, o Scrum Master pode decidir qual dinâmica de retrospectiva é a mais adequada para a ocasião.

5º Passo: Prato Principal

Essa é a hora de abrir o coração! Expor problemas, elogiar pessoas, identificar melhorias e comentar tudo que considerar pertinente (desde que seja escopo da reunião). É essencial que todos participem, opinem e sintam que estão sendo ouvidos. A dinâmica utilizada para resgatar os fatos deve ser escolhida com muita cautela, deve-se levar em consideração os participantes, cenário da sprint e maturidade da equipe.

6º Passo: Filtragem

Após tanta discussão, é recomendado filtrar alguns pontos de melhoria para tratar nos próximos ciclos. Como podem surgir muitos problemas a serem atacados, é preciso  selecionar quais são os mais importantes para estabelecer uma meta factível de cumprimento.

7º Passo: Próximos Passos

 Após selecionar os pontos de melhoria são definidas a ações para minimizar ou solucionar os problemas priorizados no passo anterior.

Se a retrospectiva terminar sem definir as próximas ações nenhum problema será atacado, a reunião só serviu para relembrar e debater os problemas. É fundamental sair com uma lista de ações, mesmo que sejam ações que garantam manter o bom funcionamento das atividades.

O time deve visualizar a cerimônia da retrospectiva como um agente de mudança e entender que a mudança parte do próprio time. Juntos, é possível analisar o passado e traçar planos de melhoria e crescimento em conjunto para o futuro. Se a equipe não busca se auto-inspecionar e adaptar, é bem provável que continue cometendo os mesmos erros repetidamente. As retrospectivas, tem como propósito tornar times bons em times excelentes.

Referências

https://www.scrum.org/resources/scrum-guide

https://www.thoughtworks.com/pt/insights/blog/7-step-agenda-effective-retrospective

Por KARINA COSTA MINEIRO

Analista de Sistemas, motivada por desafios, adepta ao desenvolvimento Ágil! Ama filmes e séries, louca por cachorros e entusiasta DIY.

Postado em: 29 de março de 2017

Confira outros artigos do nosso blog

Do Scrum para o Kanban: quais são os desafios dessa transição?

02 de julho de 2018

Reinaldo Simizu

Como a comunicação influencia em times ágeis?

15 de junho de 2018

Ariane Ferreira Izac

Vamos falar sobre métricas Kanban?

21 de maio de 2018

Ricardo Augusto Shikota

Método Kanban: primeiros passos

10 de maio de 2018

João Paulo Grabosque

Deixe seu comentário