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Um pouco de Economia Compartilhada

Você provavelmente tem em casa algum equipamento que comprou pra uma necessidade bem específica e agora está guardado só acumulando poeira aguardando pela próxima oportunidade de uso. Pode ser aquela furadeira usada na última reforma do apartamento, uma Go Pro aguardando a próxima viagem de aventura, ou uma bicicleta para aquele passeio nos fins de semana. Em alguns casos ainda, é bem possível que na próxima oportunidade de uso você o considere obsoleto e já pense em comprar uma versão mais nova. Ou ainda: que a próxima oportunidade de fato nunca aconteça. Por várias vezes acabamos tratando o problema nos desfazendo do equipamento, seja doando-o para um amigo ou vendendo em sites de leilão.

E se você pudesse mudar a forma de uso destes equipamentos? Se a cada necessidade de uso, você pudesse alugá-los pelo tempo necessário por um valor bem menor do que o valor de aquisição? Sua necessidade seria atendida e o equipamento não ficaria parado por muito tempo apenas ocupando espaço. E financeiramente falando, é bem provável que compense, considerando a relação de custo, a depreciação e o tempo de vida útil real do que foi alugado.

Claro, quando pensamos em apartamentos de temporada na praia, ou aluguel de carros para uma viagem de negócios, há uma demanda bastante forte no mercado e inúmeras empresas já tradicionais, focadas exclusivamente nestes nichos, proveem o serviço de aluguel. Mas e itens menores ou mais específicos, como seria possível? Não existem empresas de aluguel de câmeras espalhadas pela cidade.

É neste ponto em que a economia compartilhada entra em ação.

O conceito em si já vem de longa data. Na idade média habitantes das pequenas comunidades já tinham o costume de compartilhar os pertences com seus vizinhos. À medida que as cidades cresceram, isso se perdeu devido à dificuldade de se colocar em prática. Mas vemos agora que a tecnologia e o alto nível de conectividade da população estão permitindo com que isso possa ser colocado novamente em prática.

Imagine a situação: Vai reformar a casa? Alugue os equipamentos do Rodrigo. Vai viajar? O Pedro pode  compartilhar a câmera contigo por um valor simbólico. Ou ainda, pensando no outro sentido, sua bicicleta vai ficar parada no fim de semana? Alugue-a para a Maria, que está começando a praticar esportes agora. Você nunca os viu antes, mas um aplicativo no celular os colocou em contato e organizou a logística da operação. E ainda permitiu que você avaliasse a Maria, dizendo se ela cuidou bem de sua bicicleta e cumpriu tudo como combinado, construíndo uma rede de confiança.

Muitas empresas, incluindo diversas startups, estão percebendo oportunidades neste sentido e criando ferramentas para colocar pessoas em contato com objetivo de promover a colaboração. A ideia é facilitar o compartilhamento de recursos físicos e humanos, promovendo também a divulgação de informações sobre os mesmos e agregando valor ao bem ou serviço. Alguns cases bem conhecidos são o airbnb, plataforma para locação de quartos na residência de qualquer pessoa, e o uber.com, para serviços de transporte. Há ainda alguns cases onde compartilha-se a experiência. Gosta de um restaurante, mas não tem oportunidade de frequentá-lo? Você pode jantar na casa do chef com o www.eatwith.com.

É comum, entretanto, que alguns destes serviços sejam polêmicos e se envolvam em disputas judiciais. A partir do momento em que colocam pessoas físicas diretamente em contato para negociação de serviços, tiram uma empresa intermediária e a consequente carga de impostos da transação, barateando os custos para o usuário final e gerando uma concorrência desleal, no ponto de vista de quem opera no modelo tradicional. O uber.com é um exemplo clássico, por ter se envolvido em disputas com associações de taxistas em diversos países por onde passou, inclusive aqui no Brasil, chegando a ser bloqueado.

Tal polêmica, entretanto, é semelhante à que existiu no momento da popularização do mp3, onde as vítimas eram as gravadoras. Quem no mercado estava ciente de que seria impossível brigar contra a tecnologia  se adaptou e lançou serviços de streaming, como o Deezer e o Spotify, ou serviços compra de músicas online. De forma similar, neste modelo de compartilhamento, cabe às empresas aceitar a realidade e buscar oportunidades de negócio, explorando novos nichos, ou integrando seus serviços às plataformas existentes, com uma nova proposta de valor.

Este modelo de negócio no Brasil ainda parece estar nas primeiras experiências. Existe uma questão cultural envolvida, pois temos uma concepção muito forte de que o possuir é mais importante que compartilhar. E mudar a cultura é sempre mais difícil do que mudar a tecnologia. Gerações mais jovens já começam a quebrar este paradigma, mas ainda é necessário que os fornecedores destas plataforma invistam bastante em marketing, reforçando que os serviços são seguros, confiáveis e fáceis de usar, e assim poder colher os frutos da expansão deste tipo de serviço nos próximos anos.

Imagem do post obtida de Daryl Lang / Shutterstock.com.

Por LUIS SERGIO F. CARNEIRO

Postado em: 14 de maio de 2015

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