Image without alt
Voltar para todos os posts

COSIF: entenda seu papel no sistema financeiro e as principais mudanças recentes

1 de abril de 2026

Criado pelo Banco Central, o COSIF define o padrão contábil das instituições financeiras. Entenda como funciona, o que mudou nos últimos anos e como a tecnologia pode ajudar.

por matera

Compartilhar

Mulher em uma mesa de escritório observando um papel, com uma caneta na mão.

Manter a contabilidade em dia é uma obrigação de toda empresa, e isso começa com um plano de contas, uma estrutura organizada que define como as movimentações financeiras serão registradas e acompanhadas. 

Em instituições financeiras, no entanto, esse processo é muito mais complexo e exige um nível de padronização rigoroso.

Como supervisor do sistema financeiro, o Banco Central  precisa acompanhar de perto a saúde contábil de bancos, cooperativas, financeiras e instituições de pagamento. Para isso, criou o COSIF, um modelo contábil próprio, com regras específicas e um plano de contas padronizado que todas essas instituições devem seguir.

Na prática, o Cosif garante comparabilidade, transparência e integridade nas informações contábeis prestadas ao regulador. Mas também impõe um desafio: manter o controle preciso dessas informações em ambientes cada vez mais dinâmicos e digitalizados.

Neste conteúdo, você vai entender o que é o COSIF, qual seu papel dentro do sistema financeiro, o que mudou nos últimos anos e como tecnologias como as Regtechs estão ajudando as instituições a cumprir essas exigências com mais eficiência.

Boa leitura!

O que é o COSIF?

Cosif é a sigla para Padrão Contábil das Instituições Reguladas pelo Banco Central do Brasil.

Na prática, é um plano contábil com números de contas padronizados definidos pelo Bacen. Isso garante que bancos, instituições de pagamento e outras entidades usem a mesma "linguagem contábil".

Além de se referir ao plano como um todo, o termo COSIF também é usado para indicar as contas contábeis específicas, cada uma com um código numérico e uma descrição, como "valores a pagar" ou "depósitos".

Essa padronização facilita a supervisão do Banco Central e a análise da saúde financeira das instituições. Com todo mundo “falando a mesma língua”, o sistema fica mais transparente e comparável.

O papel do Cosif no ecossistema regulatório

Mais do que um simples plano de contas, o Cosif evoluiu para um verdadeiro padrão contábil, sendo a ferramenta essencial para padronizar, integrar e garantir a conformidade no setor financeiro.

Veja como ele cumpre esse papel:

Padronização e integração de informações

Seu principal objetivo é uniformizar os critérios contábeis adotados por todas as entidades reguladas. Com isso, o Bacen consegue integrar dados de diferentes tipos de instituições, bancos múltiplos, DTVMs, instituições de pagamento, SCDs, administradoras de consórcio e, agora, até mesmo as prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs), dentro de uma estrutura comum.

Base para análise regulatória e supervisão

Ao adotar um padrão único, o Banco Central facilita a análise e o acompanhamento do desempenho das instituições. Isso inclui desde a verificação rigorosa da saúde financeira das entidades até a geração de dados públicos (como os do portal IF.data), garantindo transparência e comparabilidade ao mercado.

Suporte ao compliance regulató­rio

O Cosif também funciona como um pilar de compliance, assegurando que todas as instituições estejam alinhadas às exigências contábeis do regulador. Ele fornece uma resposta estruturada e rápida a riscos sistêmicos (como os observados na crise de 2008), reforçando a solidez e a blindagem do Sistema Financeiro Nacional.

Estrutura do COSIF: principais componentes

O Cosif é organizado em quatro capítulos que orientam como as instituições devem registrar e reportar suas informações contábeis ao Banco Central

  • Normas Básicas: consolida os princípios, os critérios e os procedimentos contábeis estabelecidos na regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Bacen. É a base conceitual da contabilidade regulatória.
  • Elenco de Contas: consolida as rubricas contábeis e suas respectivas funções. Traz o conjunto completo de contas que devem ser utilizadas: ativo, passivo, patrimônio líquido, contas de resultado e contas de compensação. É o coração operacional do COSIF.
  • Modelos: apresenta os modelos padronizados de documentos que devem ser elaborados pelas instituições. Isso garante uniformidade nos relatórios enviados ao regulador.
  • Documentos Complementares: apresenta os padrões e pronunciamentos contábeis emitidos por outras entidades (como os pronunciamentos técnicos do CPC) que foram oficialmente recepcionados pela regulamentação.

O que mudou no COSIF em 2025?

Em 2025, entrou em vigor uma das maiores atualizações do COSIF dos últimos anos, apelidada pelo mercado de COSIF 1.5.

A mudança está ligada à Resolução CMN nº 4.966, que oficializa a adoção do IFRS 9, norma internacional que trata da contabilização de instrumentos financeiros.

Na prática, essa atualização faz parte de um movimento maior do Banco Central para aumentar a transparência, a comparabilidade e a segurança do sistema financeiro, sem abrir mão da abordagem prudencial brasileira.

Mas o ponto mais importante aqui é conceitual.

A contabilidade deixa de olhar apenas para perdas já ocorridas e passa a incorporar, de forma contínua, o risco de perdas futuras, com base no conceito de perdas esperadas. Isso muda bastante a lógica de mensuração e exige uma postura mais prospectiva das instituições.

Como consequência, bancos e demais instituições financeiras precisam promover ajustes relevantes em sistemas, processos e políticas contábeis.

A seguir, estão os principais pontos introduzidos pelo chamado COSIF 1.5:

Nova arquitetura do plano de contas

O plano de contas passa a ter mais detalhamento e padronização, com pelo menos cinco níveis de agregação (grupo, subgrupo, desdobramento, título e subtítulo), além do dígito de controle.

Adoção do IFRS 9

São introduzidos novos critérios para classificação, mensuração e divulgação de instrumentos financeiros, como operações de crédito, títulos e recebíveis.

Perdas esperadas

A provisão deixa de considerar apenas a inadimplência. Agora, inclui também clientes adimplentes, com base em estimativas estatísticas e projeções, com possibilidade de modelos simplificados para instituições menores.

Nova dinâmica no uso das contas (fim dos “atributos”)

A estrutura mudou com a adoção do código Estban, mas a lógica de escrituração permanece: as instituições só podem registrar operações para as quais estão autorizadas. 

O Bacen continua podendo restringir o uso de determinadas rubricas conforme o perfil da instituição.

Novas classificações de instrumentos financeiros

Os instrumentos passam a ser classificados em três categorias:

  • Custo Amortizado (CA)
  • Valor Justo no Resultado (VJR)
  • Valor Justo em Outros Resultados Abrangentes (VJORA)

Conceito mais amplo de crédito

O COSIF passa a considerar não apenas operações de crédito tradicionais, mas também outras operações com características similares de concessão de crédito.

Novo modelo tributário

A Lei nº 14.467/2022 traz novas regras para o reconhecimento fiscal de perdas, exigindo controle mais rigoroso de ativos fiscais diferidos.

Simplificações e revogações

Há revogação do antigo modelo de contabilidade de câmbio e simplificação no tratamento de derivativos.

Novas contas de compensação

Foram criadas novas contas para dar mais visibilidade às movimentações, o que exige adaptações nos sistemas internos das instituições.

Mudanças no tratamento de garantias financeiras prestadas

O prêmio dessas garantias passa a ser reconhecido como receita diferida (no passivo) e apropriado ao longo do tempo.

Segregação de resultados

As contas de resultado ficam mais detalhadas, permitindo identificar melhor componentes como juros, variação cambial, perdas de crédito e ajustes a valor justo.

Metodologia simplificada vs. completa

Instituições menores (Segmentos 4 e 5 e IPs) devem adotar a metodologia simplificada para perdas esperadas.

Ainda assim, podem solicitar o uso da metodologia completa, desde que comprovem ao Bacen que possuem estrutura tecnológica e modelos de mensuração compatíveis.

Impactos no Cadoc 3040

O documento foi atualizado para incluir informações como perdas esperadas, ativos problemáticos, reestruturações e clusterização de carteiras.

COSIF 2026: uma nova leva de mudanças

Se o movimento de 2025 trouxe uma mudança mais conceitual, 2026 vem com um viés mais operacional: o regulador reforça a fiscalização e, ao mesmo tempo, começa a adaptar a contabilidade aos novos modelos de negócio, especialmente os digitais.

Na prática, é um ajuste fino que combina maior controle com maior aderência à realidade do mercado.

A seguir, os principais pontos:

A entrada das SPSAVs no COSIF 

Com a publicação de um novo pacote normativo entre o final de 2025 e o início de 2026, o mercado de criptoativos foi definitivamente integrado à supervisão do Sistema Financeiro Nacional (SFN). 

A partir desse marco, a atuação com ativos virtuais passa a exigir o crivo do Bacen, submetendo aos novos entrantes à necessidade de autorização prévia e forçando os players já em atividade a um rigoroso regime de transição.

Esse movimento representa um dos maiores impactos operacionais e tecnológicos para as SPSAVs, forçando o setor a abandonar controles informais e adotar padrões institucionais de padronização, granularidade e marcação a mercado. 

Como consequência estrutural, houve mudanças diretas no COSIF para passar a refletir também as SPSAVS. 

Vamos entender melhor:

Inclusão obrigatória no padrão COSIF

A Resolução BCB nº 553 integrou oficialmente as SPSAVs ao COSIF, exigindo que adotem o mesmo padrão de escrituração e elaboração de demonstrações financeiras já aplicável às instituições financeiras tradicionais.

Criação de novas rubricas contábeis (A IN 687)

A Instrução Normativa BCB nº 687 criou contas (rubricas) específicas para produtos e operações do mercado cripto que antes não tinham um enquadramento claro no balanço. 

Foram criadas rubricas exclusivas como "Custódia de Ativos Virtuais", "Ativos Virtuais Vinculados a Operações de Staking", "Stablecoins" e "Financiamentos de Conta Margem". 

Na prática, isso obriga que os sistemas contábeis das corretoras segreguem essas operações de forma nativa, extinguindo definitivamente o uso de controles paralelos, planilhas ou "contas bolsão".

Mensuração a valor justo (Marcação a Mercado)

Elevando a complexidade sistêmica, a Resolução BCB nº 550 (junto à CMN nº 5.281) estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 2027, as instituições serão obrigadas a mensurar seus ativos virtuais pelo seu valor justo, com periodicidade mínima mensal. 

Isso significa que o motor contábil da instituição precisará ser sofisticado o suficiente para precificar a alta volatilidade dos criptoativos e reconhecer essas variações (lucros ou perdas) diretamente no resultado financeiro do período.

Adequação às novas regras de capital mínimo e fiscalização

O Banco Central promoveu ajustes no plano de contas para viabilizar o acompanhamento da nova metodologia de apuração de capital mínimo (capital social integralizado e patrimônio líquido).

Além disso, foram criadas e revisadas diversas contas com foco em supervisão. A ideia é dar ao regulador mais visibilidade sobre ativos e passivos que exigem monitoramento mais próximo.

Abertura de rubricas para a economia de dados (Open Finance)

A contabilidade passa a refletir de forma mais direta as receitas ligadas à economia digital.

O COSIF cria contas específicas para registrar:

  • receitas de agregação de dados (serviços no contexto de Open Finance)
  • receitas de processamento e armazenamento de dados

É um reconhecimento claro de que dados viraram uma linha relevante de negócio.

Mais granularidade nas tarifas para pessoas físicas e MEIs

Há um avanço importante na segmentação das receitas.

As instituições passam a ter que separar, de forma explícita, o que é gerado com Pessoas Naturais (PN) e Microempreendedores Individuais (MEI). Isso inclui tarifas, corretagens e serviços de custódia, agora registrados em contas específicas.

O objetivo aqui é simples: dar mais transparência sobre a origem das receitas.

Controle mais rigoroso de valor justo e direitos creditórios

Mesmo ativos classificados como Custo Amortizado passam a exigir controles paralelos de valor justo.

Para isso, foram criadas contas específicas que obrigam a segregação por níveis de hierarquia (Nível 1, 2 e 3), especialmente para aplicações interfinanceiras e títulos públicos e privados.

Além disso, a norma aprofunda o tratamento dos direitos creditórios adquiridos, com novas rubricas tanto no ativo quanto no resultado, reforçando o controle sobre esse tipo de operação.

Como uma solução Regtech facilita o compliance com o COSIF

A adaptação ao COSIF exige mais do que compreensão técnica e demanda ferramentas que garantam a integridade do dado desde a origem. 

É nesse cenário que a solução de Gestão Contábil da Matera se destaca, automatizando a execução da norma contábil de ponta a ponta.

Diferente de processos manuais, o sistema utiliza Eventos Geradores Parametrizáveis. Isso significa que cada transação financeira aciona automaticamente o lançamento nas contas oficiais do COSIF, eliminando a necessidade de conciliações externas. 

Com a inteligência nativa de "de-para" multidimensional, a solução traduz operações complexas em lançamentos precisos, garantindo a rastreabilidade total para auditorias e fiscalizações.

Além da organização interna, a solução automatiza a entrega de Informativos Regulatórios (CADOCs), processando dados brutos e gerando os arquivos exigidos pelo Banco Central com agilidade e segurança. 

Adotar a Regtech da Matera deixa de ser uma escolha operacional e torna-se um passo estratégico para garantir governança, conformidade e mitigação de riscos em um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico.

Sua contabilidade está pronta para a próxima fiscalização?

Conclusão 

O COSIF estabelece uma base padronizada para a contabilidade de instituições supervisionadas pelo Banco Central, promovendo organização, transparência e comparabilidade nos registros financeiros. 

Mais do que seguir um modelo técnico, cumprir o COSIF significa atender a critérios rigorosos de qualidade e consistência das informações.

Com as evoluções recentes, especialmente a partir de 2025 e 2026, a complexidade aumentou. E, com ela, o risco de inconsistências, retrabalho e exposição regulatória.

É nesse contexto que soluções para regulatórios deixam de ser apenas suporte e passam a ter um papel estratégico. Mais do que viabilizar a conformidade, elas ajudam a estruturar processos, reduzir fricção operacional e dar escala ao controle contábil.

No fim do dia, não se trata só de cumprir uma obrigação regulatória, mas de proteger a operação, sustentar o crescimento e fortalecer a credibilidade da instituição.

Se fizer sentido para você aprofundar esse tema, converse com um de nosso especialistas Matera.