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O caminho para 2026


Por dentro das tendências que moldam o futuro financeiro

Liderar no mercado financeiro exige mais do que somente acompanhar novidades; exige antecipar os movimentos que redefinem o jogo. 

Na Matera, atuamos diariamente ao lado de quem constrói esse mercado, seja nos debates promovidos em nossos eventos, nas análises publicadas no blog ou até mesmo na contribuição contínua para a imprensa. Nosso compromisso é traduzir o mercado para que nossos clientes possam liderá-lo.

Este conteúdo consolida essa jornada. Não é um compilado de previsões, mas um material pensado para te apoiar em escolhas mais seguras e conectadas ao contexto real do setor.

Para interpretar o cenário de 2026, estruturamos uma visão a partir de quatro forças fundamentais. Elas não operam de forma isolada. É na interação entre elas que o mercado se organiza e onde surgem as oportunidades mais relevantes para as instituições:

  • A Força do Regulador: tudo começa por aqui, as regras do jogo. Os movimentos do Banco Central definem limites, riscos e possibilidades de atuação no sistema financeiro. É o pêndulo que dita o "onde" e "como" é permitido jogar.
  • A Força do Mercado: é a resposta do ecossistema às regras. Quando o regulador abre espaço ou impõe restrições, o mercado reage criando novos modelos de negócio, produtos e pressões competitivas para ocupar esses espaços.
  • A Força da Tecnologia: é a grande viabilizadora, atuando como um motor neste ecossistema. A tecnologia não é o fim, mas o meio essencial que permite à sua instituição materializar a estratégia de mercado e cumprir as exigências regulatórias com eficiência e escalabilidade.
  • A Força do Comportamento: é onde tudo se valida. A convergência entre regulação, mercado e tecnologia só se confirma quando atende às expectativas de clientes cada vez mais digitais, criteriosos e menos tolerantes a fricções.

Ao longo deste conteúdo, você encontrará como essas forças se entrelaçam para criar o cenário para 2026. Nosso objetivo é apoiar você a interpretar esse contexto com clareza para que você assuma o protagonismo dessa transformação.

 

Boa leitura.
 

Tendências do Mercado Financeiro para 2026

A força do Regulador

 

O cenário regulatório consolida-se como o tema central para 2026. Após um ciclo marcado pelo incentivo à entrada de novos players, o Banco Central (BC) faz agora um movimento pendular, priorizando o ajuste fino da disciplina de mercado e o fortalecimento dos protocolos de segurança.

A exigência de mais disciplina e capital

 

Aumentos recentes em eventos de fraudes, lavagem de dinheiro e segurança cibernética colocaram o BC em uma posição de maior exposição, resultando em novas questões regulatórias na reta final de 2025.

Este cenário reforça a importância de contar com uma infraestrutura modular e eficiente, que permite escalar serviços e gerenciar a complexidade regulatória sem comprometer a agilidade do negócio.

É o momento de olhar para o backlog de atividades não apenas como gerador de receita, mas como um componente crítico da eficiência de capital da sua instituição.

Complexidade crescente nos riscos

 

O BC elevou o nível de complexidade das regras, e está demandando um esforço significativo das instituições financeiras para se adequarem. A reforma do risco de mercado para a carteira trading, prevista para 2027, é um exemplo, sendo considerada tão impactante e relevante para riscos quanto foi a 4966 para sistemas core.

O prazo parece distante, mas as instituições precisam começar a endereçar o tema imediatamente, pois os prazos para desenvolvimento e entrega ao mercado são restritivos.” Alexandre Oliveira, diretor da BU de Riscos na Matera.

Regulamentações específicas e inesperadas

 

Regulamentações específicas para Banking as a Service (BaaS) e Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV) foram criadas no fim de 2025, além de outras que apareceram de forma inesperada, como as relativas aos Provedores de Serviços de TI (PSTIs).

O próprio BC já alertou que essas mudanças recentes são ‘apenas o começo’ e que novas normas devem ser colocadas na mesa. Por isso, destaca-se a importância de as instituições possuírem uma infraestrutura tecnológica flexível e robusta para processar essa complexidade e dar respostas tempestivas ao regulador.

Tendências do Mercado Financeiro para 2026

A força do Mercado

 

Se o regulador define as regras, é aqui que o jogo realmente acontece, com novos produtos, conceitos e formas de gerar valor para o cliente final.

A grande palavra de ordem para o mercado nos próximos anos é dinamismo. Estamos diante de uma transformação na forma como os ativos virtuais são transacionados e como o crédito é concedido, sempre com o objetivo de tornar as operações mais rápidas, seguras e acessíveis.

Stablecoins: o "WhatsApp do dinheiro"

 

Cada vez mais presentes no Brasil, as stablecoins estão se consolidando como protagonistas nos pagamentos e já são apontadas por especialistas como o “WhatsApp do dinheiro”.

“Tecnicamente, qualquer pessoa pode obter USDC hoje — assim como no século XIX, quando qualquer pessoa podia enviar uma mensagem de Nova York para Londres… desde que aprendesse código Morse e usasse um telégrafo. Hoje, pessoas com conhecimento em criptomoedas já sabem como usar carteiras, gerenciar chaves e negociar em corretoras. Mas a maioria dos usuários — a grande maioria — não. Eles querem a experiência do telefone: sem novas ferramentas, sem novos hábitos e sem a necessidade de conhecimento profundo em criptomoedas.”  Carlos Netto, CEO da Matera

Em linha com essa tendência, a Matera firmou uma parceria estratégica com a Circle para integrar o USDC ao seu ecossistema, buscando conectar a agilidade do Pix à liquidez global do dólar digital.

O diferencial dessa integração reside na simplificação da jornada do usuário. Em vez de lidar com carteiras digitais complexas ou chaves privadas, o cliente visualiza seus saldos em diferentes moedas diretamente no aplicativo bancário que já utiliza. A solução transforma a interação com ativos digitais em uma experiência cotidiana e intuitiva.

É o terreno sendo preparado para a adoção em massa, tornando o dólar digital uma ferramenta financeira pronta para o próximo bilhão de usuários.

Crédito de baixo risco e crescimento consignado

 

O Crédito do Trabalhador, novo consignado privado para colaboradores, emerge como uma oportunidade massiva para os bancos. Impulsionado por mudanças regulatórias que eliminaram a burocracia, esse modelo se consolida como simples, acessível e transparente.

O novo consignado privado ultrapassou R$50 bilhões, com mais de 5,6 milhões de trabalhadores buscando a modalidade. No entanto, a oferta real pelas instituições financeiras ainda é restrita, atendendo a menos de 4% desta demanda total. Isso indica um grande potencial de crescimento para instituições financeiras.

“Essa disparidade evidencia que, embora o regulador tenha criado o caminho, a ausência de grandes players e a complexidade na integração tecnológica via Dataprev e eSocial ainda limitam o acesso ao crédito. Para as instituições financeiras, o cenário reforça a necessidade de sistemas flexíveis: aquelas que superarem as barreiras técnicas primeiro estarão posicionadas para capturar uma fatia bilionária de um mercado que já demonstrou um apetite sem precedentes."
Amilcar Firmo Collares Chaves, Diretor da BU de Crédito da Matera

Outros exemplos de crédito de baixo risco incluem o cartão consignado (INSS e Público) e o consignado privado, que permitem às instituições operarem com maior previsibilidade tanto no segmento de pessoa física quanto jurídica. Esse ecossistema de baixo risco ganha um novo fôlego com a movimentação dos fundos de pensão, que em 2026 passam a ter novas obrigações operacionais: a necessidade de consulta de margem e a averbação de contratos diretamente via Dataprev.

Pix como Canal para Crédito

 

O Pix, considerado um "herói nacional", deixa de ser visto apenas como um meio de pagamento instantâneo e assume o papel de um potente canal para viabilizar o crédito. Essa tendência se manifesta de duas formas principais:

Para Pessoa Física (PF): o Pix surge como uma alternativa real ao cartão de crédito, oferecendo novas jornadas de consumo.
Para Pessoa Jurídica (PJ): ele se posiciona como uma alternativa eficiente às duplicatas, agilizando o fluxo de caixa das empresas.

O Pix, por ser um sistema monitorado e rastreável pelo Banco Central, oferece maior visibilidade sobre o comportamento financeiro do cliente, o que facilita a concessão de crédito com taxas mais competitivas e menor índice de inadimplência. Além de viabilizar contratos automatizados, permitindo que o crédito seja liberado e liquidado de forma instantânea conforme gatilhos específicos, aumentando o dinamismo dos produtos financeiros.

“A nova geração de consumidores é cada vez mais digital e menos fiel aos bancos tradicionais, exigindo jornadas que sejam, acima de tudo, fluidas. O Pix atende a essa demanda ao eliminar as "fricções" do crédito tradicional. A infraestrutura tecnológica é o que permite que a instituição cuide dessa experiência, transformando o crédito em algo quase invisível e integrado ao momento da compra.” Bruno Samora, CPO na Matera

Tendências do Mercado Financeiro para 2026

A força da Tecnologia

 

Se no pilar anterior falamos sobre como o mercado está mudando, aqui vamos entender como essas mudanças se tornam possíveis. 

A Tecnologia está colocando a Inteligência Artificial no centro e evoluindo o conceito de dinheiro digital para alternativas privadas. Em 2026, não se tratará apenas de "ter um aplicativo", mas de como usar as ferramentas certas para criar o que chamamos de dinheiro inteligente.

Agentes de AI em operações

 

A adoção de agentes de Inteligência Artificial transcendeu a escrita de código e tornou-se um pilar de eficiência nas operações críticas das instituições financeiras, com impactos diretos em:

  • Customer Success (CSM): a IA atua na hiper-automação da rotina, eliminando o esforço manual ao gerar notas estruturadas de reuniões e relatórios analíticos para carteiras Tech Touch. Isso permite que o time foque na estratégia de retenção, enquanto a máquina cuida da documentação.
     
  • Análise de Risco e Suporte: através de técnicas como o 5W2H, agentes de IA conseguem processar fluxos complexos de interação (tickets com dezenas de mensagens) para diagnosticar crises em tempo real. A tecnologia já é capaz de sugerir o escalonamento crítico de chamados (de P2 para P1), antecipando-se a possíveis falhas sistêmicas.
     
  • Segurança (SecOps): em um cenário de ameaças crescentes, a IA é vital para a filtragem de falsos positivos e o Threat Hunting automatizado. Ela auxilia analistas a sintetizar incidentes complexos e a estruturar playbooks de resposta imediata, reduzindo o tempo de exposição ao risco.

Em 2026, a eficiência operacional deixará de ser medida pelo tamanho das equipes, sendo definida pela capacidade de orquestrar esses agentes para antecipar crises e personalizar a experiência do cliente em tempo real.

A evolução do dinheiro programável

 

O desligamento do DREX pelo BC, não significa o fim da moeda digital. Pelo contrário, a moeda digital segue em evolução, com o avanço de alternativas privadas para viabilizar o dinheiro inteligente e programável.

O cenário indica que a programabilidade do dinheiro seguirá um caminho híbrido: enquanto as iniciativas soberanas amadurecem, as infraestruturas privadas preenchem as lacunas de agilidade e interoperabilidade global.

O desafio para as instituições não está em escolher uma tecnologia vencedora, mas em preparar seus sistemas para um futuro multimoedas.

A capacidade de transacionar ativos inteligentes de forma descentralizada será o divisor de águas entre as empresas que operam apenas localmente e aquelas que estão conectadas à liquidez da nova economia digital.
 

Investimentos em Core Banking

 

Para sustentar o ritmo acelerado de expansão no Brasil, bancos digitais e fintechs estão priorizando o investimento em Core Banking de última geração. A robustez sistêmica tornou-se o principal diferenciador para quem busca escala.

Neste movimento de consolidação, a Matera reforçou seu posicionamento estratégico com a aquisição da Fáciltech, ampliando sua capacidade de entrega para instituições financeiras de menor porte e garantindo que a modernização da base tecnológica seja acessível a todo o ecossistema bancário.

A corrida pela modernização do Core Banking reflete a maturidade do mercado brasileiro, onde a robustez tecnológica passou de item de suporte a pilar de sobrevivência.

“Mais do que ampliar nossa atuação, estamos fortalecendo nossa capacidade de oferecer soluções completas e modulares que atendem desde grandes bancos até instituições de nicho, contribuindo para a evolução do sistema financeiro como um todo.” Carlos André Guimarães, presidente do Conselho de Administração da Matera

Tendências do Mercado Financeiro para 2026

A força do Comportamento

 

Para entender o mercado de 2026, precisamos olhar para as pessoas. Estamos testemunhando a ascensão de uma geração que já nasceu conectada e que possui uma relação radicalmente diferente com as finanças.

O comportamento do consumidor não é apenas uma "tendência", é a força que dita quem permanecerá relevante no mercado. Por aqui, as tendências são comportamentos que já conhecemos, mas que se acentuam ainda mais.

A prioridade inegociável da experiência

 

A experiência do usuário deixou de ser um diferencial para se tornar o pilar central de sustentação de qualquer modelo de negócio financeiro. 

O mercado exige hoje jornadas totalmente fluidas, digitais e centradas na conveniência. Esse imperativo foi o tom dominante em grandes fóruns do setor, como o F&R 2025 (Fórum Bares & Restaurantes), onde a tríade Tecnologia, Experiência e Gestão foi apontada como o único caminho para a sobrevivência operacional.

Para as instituições, isso significa que a tecnologia não deve ser apenas funcional, mas invisível, eliminando qualquer atrito no momento da conversão.

Adoção veloz de novas funcionalidades

 

O consumidor brasileiro exibe uma agilidade sem precedentes na adoção de novas funcionalidades financeiras, muitas vezes antecipando-se à própria regulamentação. O Pix Parcelado é um exemplo claro dessa força, sendo utilizado por mais da metade dos consumidores (53%) antes mesmo de sua oficialização.

Seguindo essa trajetória, o Pix Automático tem redefinido o mercado de pagamentos recorrentes, com adesões massivas de grandes players como o Banco do Brasil, enquanto o Pix por Aproximação atende ao desejo intrínseco de simplicidade.

 Comparativamente, a escalabilidade e a capilaridade do Pix no Brasil já superam o alcance de sistemas globais, como o FedNow nos EUA, consolidando o país como o principal laboratório de inovação em pagamentos do mundo.

Digitalização e a crise de fidelidade

 

A digitalização profunda das novas gerações trouxe consigo um fenômeno crítico: a erosão da lealdade bancária tradicional. O consumidor moderno não busca mais uma relação institucional de longo prazo, mas sim a melhor oferta de valor em tempo real.

Na era dos algoritmos, a busca por autonomia no crédito digital sobrepõe-se ao histórico de relacionamento com um único banco. Esse cenário exige que as instituições não apenas ofereçam crédito, mas o façam de forma hiper-personalizada e oportuna, entendendo que, em um ambiente de escolhas fluidas, a fidelidade é conquistada pela eficiência do dado e pela precisão da oferta.

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O mercado financeiro de 2026 não será definido apenas por quem possui a melhor tecnologia, mas por quem melhor interpreta a convergência das quatro forças: Regulação, Mercado, Tecnologia e Comportamento.

Conclusão

A trajetória para os próximos anos exige que as instituições abandonem a postura reativa e assumam o protagonismo. Isso significa:

 

  • Resiliência regulatória: adaptar-se ao rigor do Banco Central sobre capital e segurança como uma vantagem competitiva, e não apenas um custo.
  • Inovação pragmática: transformar tendências como stablecoins e o "Pix como crédito" em produtos acessíveis que resolvam dores reais do cliente.
  • Eficiência operacional: orquestrar agentes de IA e modernizar o Core Banking para garantir escala e robustez sistêmica.
  • Fidelização pela experiência: entender que, em um cenário de baixa lealdade, a preferência do consumidor é conquistada em cada jornada fluida e sem fricção.

     

O futuro pertence às instituições que conseguirem transformar essa complexidade em inteligência competitiva, liderando a construção de um ecossistema financeiro mais aberto, digital e humano.

Neste cenário, a Matera se posiciona como sua parceira tecnológica estratégica. Mais do que fornecer software, nosso compromisso é garantir a continuidade e a conformidade do seu negócio, absorvendo a complexidade técnica para que sua instituição lidere com segurança o futuro do sistema financeiro.

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