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Stablecoins: o próximo nível de inovação para as instituições financeiras

20 de março de 2026

As stablecoins já são realidade, saiba como preparar sua Instituição Financeira para esse cenário.

por Carlos Netto

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Foto de uma mulher em ambiente corporativo, com um celular sorrindo e o texto: Stablecoins - como trabalhar esta tendência em sua IF

As stablecoins furaram a bolha e hoje ocupam o centro do palco financeiro. Não se trata mais de uma "promessa tecnológica", mas de uma adoção acelerada que força bancos e instituições a repensarem seu papel agora.

Entre o avanço do DeFi e a fuga do IOF alto, o Brasil se tornou um verdadeiro polo global desse movimento. Esse movimento pede uma ação, principalmente dos bancos tradicionais. Caso contrário, eles correm o risco de serem deixados para trás pelas empresas que lidam nativamente com estas tecnologias e serviços.

Nas próximas linhas, você fica a par das possibilidades desse cenário, entende quatro caminhos que os bancos podem seguir para se engajar com stablecoins, e ainda conhece um novo modelo que combina o USDC da Circle e o Digital Twin da Matera para ajudar os bancos a preservar seu papel na cadeia de valor financeira. 

Com o Digital Twin, os bancos podem participar de ecossistemas de stablecoin sem a necessidade de uma revisão completa de seu sistema de Core Banking.

Stablecoins no Brasil e na América Latina

A América Latina possui hoje algumas das maiores taxas de adoção de stablecoins do mundo. E não é por acaso: por décadas, lidamos com a combinação de baixa bancarização e inflação.

Esse cenário abriu as portas para alternativas digitais, mas há um detalhe crucial: a “dor” que as stablecoins resolvem muda completamente dependendo do CEP.

Na Argentina, com a inflação crônica, o uso é quase um instinto de sobrevivência. Ali, a stablecoin é, antes de tudo, um escudo para o patrimônio, não se trata tanto de conveniência.

Já no Brasil, o motor é outro: a busca por eficiência. 

O brasileiro ficou “mal-acostumado” (no bom sentido) com o padrão Pix de agilidade. Transferir dinheiro virou algo instantâneo e gratuito, e agora o mercado exige essa mesma fluidez para transações internacionais e remessas cross-border.

É aí que entra um modelo que tem ganhado espaço, conhecido como “sanduíche de stablecoin”.

Funciona de um jeito bem direto: o usuário ou a empresa começa com Pix aqui no Brasil, o valor é convertido em stablecoin e circula globalmente via blockchain, muitas vezes usando ativos como USDC e, na outra ponta, esse dinheiro já chega pronto para ser usado em moeda local. Tudo isso em poucos minutos.

Na prática, o dinheiro atravessa países com uma fluidez que os sistemas tradicionais ainda não conseguem oferecer, mais rápido, mais barato e com muito mais transparência.

No fim, a principal lição é simples: não dá para tratar a América Latina como um bloco único.

Em alguns lugares, stablecoin é defesa. Em outros, é sobre velocidade e eficiência.

E entender essa diferença é o que separa quem só observa esse movimento de quem realmente consegue construir algo relevante dentro dele.

Quem deve oferecer stablecoins?

Mas se a demanda é real e as dores são claras, fica a pergunta: quem deve, afinal, oferecer essas stablecoins?

Como o sistema financeiro tradicional demorou a reagir às necessidades da região, o usuário deu o seu próprio jeito. O caminho natural foi buscar as exchanges de cripto, que entregam exatamente o que o cliente quer: agilidade, uma experiência simples e acesso instantâneo a esse novo mundo digital.

O problema é que, no entusiasmo da facilidade, muita gente ignora o que acontece nos bastidores. Onde esse ativo está parado? Como ele é guardado? No fim do dia, a custódia importa, e muito, para a proteção de quem usa.

Vantagens de oferecer stablecoins: velocidade e conveniência, sem o risco de perda de acesso

Hoje, a maioria dos consumidores não pensa muito em onde suas stablecoins "vivem". Eles financiam uma conta em uma exchange de cripto e compram USDC dentro dessa plataforma. 

Essa experiência, embora simples na superfície, muitas vezes envolve atrasos e etapas extras — especialmente ao mover USDC para dentro ou para fora do sistema bancário. Transferências podem levar dias e plataformas de cripto podem limitar saques ou impor taxas.

Agora, imagine um modelo em que os consumidores não precisam pular entre plataformas. Quando os bancos incorporam stablecoin diretamente em suas plataformas, os usuários podem comprar, manter e enviar USDC instantaneamente — tudo dentro de um ambiente confiável e regulamentado. Não há transferências extras, atrasos ou novos logins para gerenciar.

Este modelo também remove o ônus da autocustódia. Os clientes não precisam gerenciar carteiras blockchain ou chaves privadas. Os bancos mantêm um registro digital interno que rastreia os saldos de stablecoin em nível de cliente, enquanto um emissor regulamentado lida com a atividade blockchain subjacente. O resultado: acesso a stablecoin com a simplicidade bancária tradicional.

4 modelos estratégicos para bancos na era das stablecoins

Para já se alinhar às possibilidades, vislumbramos quatro caminhos para que sua IF possa aproveitar a inovação no tempo correto.

Opção 1: integração leve com plataformas externas 

Os bancos podem desempenhar um papel introdutório vinculando-se a plataformas que permitem operações com criptos, como corretoras, dentro de seu aplicativo móvel. 

Isso proporciona uma experiência unificada ao cliente, permitindo que os usuários visualizem saldos de cripto ao lado de contas tradicionais. No entanto, o banco não gerencia a stablecoin ou sua carteira e os saldos dos clientes residem fora do controle da instituição.

Opção 2: solução apenas de custódia 

Os bancos podem oferecer um serviço de custódia, permitindo que empresas ou clientes de varejo mantenham saldos de USDC sob o guarda-chuva do banco. Isso é atraente para clientes corporativos que desejam armazenamento regulamentado de ativos digitais e guarda segura de carteiras, mas o banco não participa de pagamentos ou transferências.

Opção 3: Stablecoin emitida pelo banco 

As instituições financeiras terão a oportunidade de emitir sua própria stablecoin. Algumas grandes instituições podem explorar essa opção, mas a complexidade regulatória e a carga técnica tornam isso impraticável para a maioria. Os bancos devem gerenciar todo o ciclo de vida da stablecoin, da criação ao uso, garantindo conformidade e interoperabilidade — enquanto ainda correm o risco de confusão do cliente e adoção fragmentada.

Opção 4: Stablecoin incorporada ao aplicativo móvel (Recomendado) 

Os bancos podem oferecer carteiras USDC incorporadas diretamente em seus aplicativos bancários móveis. Usando o Digital Twin, essa carteira pode suportar saldos de cripto com mais de duas casas decimais e exibir valores precisos em tempo real para os usuários. Esses saldos são autorizados e rastreados pelo Digital Twin, que atualiza imediatamente após as transações. Os clientes veem tudo em um só lugar e os bancos permanecem no centro do movimento de valor para seus clientes.

Os riscos ocultos da custódia em exchanges

Legalmente, as exchanges segregam os ativos dos clientes de seus próprios fundos operacionais, o que significa que seu USDC ainda é sua propriedade, mas em um cenário de falência, a realidade é mais complicada. 

Quando plataformas de exchange detêm USDC para seus clientes, esses saldos ainda podem se emaranhar em processos legais e financeiros se a plataforma falir. Tribunais de falência podem precisar analisar reivindicações concorrentes, estruturas de custódia e pools de ativos para determinar quem possui o quê e com que rapidez os clientes podem reaver seus fundos.

O modo de funcionamento de outras exchanges introduzem ainda mais complexidade. Embora seus aplicativos ofereçam uma interface simples para compras de cripto, os ativos dos clientes podem estar ainda mais distantes da custódia direta em blockchain, muitas vezes custodiados por meio de relacionamentos com terceiros ou entidades legais corporativas. As proteções SIPC e FDIC não se aplicam a essas participações, e os saques dos clientes às vezes podem ser atrasados ou limitados dependendo das políticas da plataforma.

O resultado? Embora os clientes possuam legalmente suas stablecoins, o processo de recuperação desses ativos em uma crise pode ser lento, complicado e incerto.

Por que instituições financeiras estão melhor posicionadas para custodiar stablecoins?

Agora, imagine um modelo muito diferente, um que vive diretamente dentro da instituição financeira.

Quando instituições financeiras incorporam stablecoins diretamente em suas plataformas, clientes e membros ganham a capacidade de manter USDC ao lado de suas contas de depósito existentes dentro da segurança e estrutura regulatória de sua instituição financeira. Nesta estrutura, o modelo de custódia funciona de forma diferente do que nas exchanges de cripto, e de forma mais segura para os clientes.

Instituições financeiras não precisam custodiar USDC diretamente na blockchain se fizerem parceria com um emissor de USDC regulamentado, como a Circle

Dessa forma, as instituições mantêm um pool agregado de USDC que é custodiado de forma segura pela Circle. A Circle gerencia a cunhagem, queima e reservas on-chain de USDC, mantendo a posição total de stablecoin em nome de cada instituição.

Para permitir essa parceria, instituições financeiras podem implementar um registro de ativos digitais em tempo real que rastreia os saldos de stablecoin em nível de cliente em relação ao pool agregado de USDC detido pela Circle. 

Esse registro rastreia exatamente quanto do pool total de USDC pertence a cada cliente a qualquer momento. As instituições financeiras mantêm total visibilidade sobre esses saldos de clientes, mantêm a supervisão de KYC e AML e integram as participações de stablecoin diretamente nas interfaces bancárias existentes de seus clientes. 

Os clientes nunca precisam abrir carteiras externas ou gerenciar chaves blockchain. Do ponto de vista deles, o USDC se comporta como qualquer outro saldo dentro de sua instituição.

Instituições Financeiras podem oferecer o que as exchanges não podem

Para a maioria dos consumidores, a confiança ainda reside em sua instituição financeira. Quando se trata de ativos digitais, instituições financeiras têm a chance de oferecer serviços de stablecoin de uma forma que as exchanges simplesmente não conseguem igualar:

  • Supervisão regulatória completa
  • Estruturas claras de propriedade legal
  • Relacionamentos diretos com o cliente
  • Conversão integrada de fiat para stablecoin dentro do aplicativo bancário
  • Transparência sobre custódia e gestão de saldos em contas USDC

Ao emparelhar um emissor de stablecoin regulamentado, como a Circle, com um registro de alto desempenho construído para ativos digitais, como o Digital Twin da Matera, instituições financeiras podem trazer recursos de stablecoin diretamente para seus canais digitais.

O caminho mais seguro para a adoção de stablecoins

À medida que as stablecoins continuam a crescer, potencialmente superando US$ 2-3 trilhões em tamanho de mercado nos próximos anos, a custódia se tornará uma das questões definidoras de como os ativos digitais se integram ao sistema financeiro mais amplo.

Instituições financeiras não precisam se tornar exchanges de cripto, mas elas precisam oferecer aos clientes uma maneira segura, compatível e totalmente integrada de manter e usar stablecoins.

Ao fazer parceria com um emissor de stablecoin regulamentado e integrar um registro de ativos digitais de alto desempenho, os bancos podem transformar as stablecoins de uma ameaça competitiva em um ativo estratégico em suas ofertas principais.

SPSAVs: regulamentação para oferta de stablecoins

Em novembro de 2025, o Banco Central subiu a régua do mercado cripto no Brasil com as resoluções BCB nº 519, 520 e 521. Elas estabelecem as diretrizes para as SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais), exigindo um padrão de governança e compliance que antes só víamos no setor bancário tradicional.

O resultado disso é a exigência de um padrão de robustez, governança e compliance para essas operações. Na prática, as SPSAVs agora são entidades reguladas e autorizadas pelo BC.

No que tange a oferta de stablecoins, as principais regras são:

  • O BC proibiu a oferta de stablecoins que utilizam algoritmos para controle de seu lastro. Esta proibição se refere à venda e prestação de serviço desses ativos pelas SPSAVs, o que já está na carteira do cliente continua lá.
  • Em requisitos de informação na oferta, fica a exigência na comunicação para que o cliente entenda exatamente quem é o emissor e o tipo de ativo virtual que ele está usando.
  • Para ser uma SPSAV completa e operar conforme as exigências do BC, a instituição precisará de um provedor de stablecoin ou outra cripto.

Além disso, a Resolução BCB nº 521 incluiu a compra, venda ou troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária, como USDC, no mercado de câmbio e capitais internacionais. Isso significa que as SPSAVs deverão enviar informações detalhadas ao Banco Central sobre todas as operações realizadas, nos mesmos moldes de uma operação de câmbio tradicional.

As resoluções são o novo marco regulatório do BC para operadoras de ativos virtuais e, como tal, traz exigências de conformidade e operacionais, como:

  • Segregação Patrimonial: é mandatório que as empresas mantenham ativos próprios separados dos de clientes, com contas individualizadas, obrigando utilização de uma conta pré-paga para os recursos em reais, garantindo a proteção jurídica desses recursos.
  • Controles internos e compliance: essas entidades passam também pela obrigatoriedade de regulamentação referente a proteção e transparência nas relações com clientes, prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLD/FT), requisitos de governança, segurança e controles internos.
  • Estrutura de TI e contábil: é preciso que as SPSAVs tenham compatibilidade de infraestrutura de tecnologia da informação com a complexidade e os riscos do negócio. Isso inclui a necessidade de ter contabilidade no padrão COSIF do BC, além de integrações com sistemas como JUD e CCS.

A prestação de serviços de ativos virtuais pode ser realizada tanto por Sociedades Prestadores De Serviços De Ativos Virtuais (SPSAVs) criados especificamente para essa finalidade, quanto por Bancos Múltiplos, Bancos Comerciais, Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, e Corretoras de Câmbio, que estão dispensadas da solicitação de uma nova licença. 

A Matera é sua parceira para a conformidade regulatória em relação a essas novas determinações e com a tecnologia do Digital Twin para oferta de stablecoins de forma adequada às determinações mais recentes. Preencha o formulário que entraremos em contato!

O papel do Digital Twin para desbloquear a participação em stablecoins

Os sistemas de Core Banking são fundamentais para as operações bancárias. Eles gerenciam contas de clientes, relatórios regulatórios e fluxos de trabalho financeiros complexos. 

O Digital Twin potencializa o core. Ele atua como um ledger de transações em tempo real para suportar USDC ou outros tokens nativamente. 

Funcionando em paralelo com o core bancário, bancos que utilizam o Digital Twin podem operar uma camada dedicada para processamento de stablecoin e ativos digitais. Neste modelo:

  • O Digital Twin oferece visibilidade de saldo em depósitos de stablecoins, autoriza transações e atualiza saldos para carteiras de stablecoin.
  • O Core continua a gerenciar saldos de contas fiduciárias e operações bancárias tradicionais.

Benefícios de stablecoins para Instituições Financeiras

  • Bancos obtêm um caminho para o engajamento com stablecoin que é rápido e seguro.
  • Os clientes nunca saem do ecossistema do banco.
  • Oferece confiança ao banco de que os depósitos que saem para stablecoin provavelmente retornarão ao banco quando forem sacados.
  • Os bancos podem manter a visibilidade dos ativos e manter relacionamentos que, de outra forma, poderiam migrar para carteiras externas.

O imperativo estratégico e casos de uso no mundo real com stablecoins

A cada dia que passa, o dinheiro está saindo das contas bancárias e indo para as carteiras digitais. Seja para pagamentos internacionais ou investimento em cripto, os clientes estão explorando alternativas. Os bancos precisam de uma maneira de atender a essas necessidades, mantendo o relacionamento com o cliente intacto.

Trazendo um exemplo do mundo real, um cliente brasileiro com uma conta internacional e saldo em USDC que gostaria de usar seu saldo em viagens:

  1. O cliente acessa seu aplicativo de mobile banking.
  2. Converte USDC na moeda local instantaneamente.
  3. Dessa forma, pode fazer compras de produtos e serviços em território internacional mesmo com sua conta brasileira.
  4. Todo o processo é concluído em segundos.

Resultados estratégicos de uma abordagem com stablecoins

  • O banco retém o cliente e mantém o depósito original pelo maior tempo possível.
  • O cliente obtém o benefício da velocidade e eficiência.

As stablecoins estão chegando rapidamente. A oportunidade não é apenas coexistir com elas, mas usá-las para cimentar os relacionamentos com os clientes. 

Ao combinar a infraestrutura em tempo real do Digital Twin com a liquidez regulamentada da Circle, bancos de todos os tamanhos podem permanecer relevantes, proteger depósitos e oferecer serviços financeiros da próxima geração sem reescrever seu core.

Isso não é uma ameaça para a indústria, é um convite para reimaginá-la. Saiba mais como fazer parte!